IGREJA BATISTA EXODUS
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Artigo V - A questão homossexual
2008/08/10 02:45:37
Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis.
Romanos 8.13

1. Durante 2 mil anos de sua história, a igreja cristã, em suas várias ramificações, nas diversas épocas, culturas e modos de produção, entendeu, com base nas Sagradas Escrituras, na tradição, na razão e na experiência, a normatividade heterossexual para a espécie humana: “E macho e fêmea os criou” (Gn 1.27). Tal entendimento foi precedido por 3 mil anos de judaísmo e mantido, a partir do sétimo século depois de Cristo, pela terceira grande religião monoteísta: o islamismo — entendimento não diferente das outras grandes religiões não-monoteístas. Iniciamos o século 20 com um consenso sobre o homossexualismo: espiritualmente, um pecado; moralmente, uma conduta desviante; clinicamente, uma patologia.

2. Em razão da mesma natureza pecaminosa, a heterossexualidade também foi marcada por desvios e patologias: pedofilia, zoofilia, necrofilia, prostituição, lascívia, estupro, violência e opressão. A teologia moral da Igreja, nesses casos, tem combatido os desvios, e não a heterossexualidade. Parte dessa pecaminosidade se manifestou, ainda, na homofobia ou mesmo em agressões aos homossexuais. Debates teológicos e morais também foram travados em torno de diversos temas, como o dote, a liberdade de escolha, a poligamia, as uniões de fato, o divórcio, o casamento de divorciados, o casamento misto, o aborto, os métodos anticoncepcionais, o patriarcado, o matriarcado etc.; mas essas situações e divergências são variações em torno da heterossexualidade.

3. A teologia reformada nos ensinou a inexistência de uma hierarquia de pecados (“mortais” versus “veniais”) e que “devemos rejeitar o pecado, mas amar o pecador”. O pensamento reformado progressista contemporâneo tem defendido a dignidade e o direito da pessoa humana e os direitos civis. Em relação às pessoas cristãs com inclinação homoerótica, essa teologia recomenda:

a) o celibato casto, abstinente e sublimado, operado pela assistência do Consolador;

b) a experiência de reversão de tendência (para a opção heteroerótica), atestada pelo testemunho de milhares de pessoas, pelo poder do mesmo Espírito.

Estas são opções a serem vividas na Igreja, família de Deus e comunidade terapêutica, que nem sempre soube honrar sua missão pastoral.

4. O século 20 testemunhou uma série de mudanças culturais, decorrentes de fatores como a urbanização, o cosmopolitismo e o secularismo. Como a natureza humana é ambígua, essas mudanças tiveram aspectos positivos e aspectos negativos. Na Igreja tivemos, em alguns círculos, um enfraquecimento das Sagradas Escrituras e da tradição, e uma nova valorização da razão e da experiência. Nas sociedades pós-industriais do Primeiro Mundo, o número de pessoas com inclinação homoerótica cresceu vertiginosamente. Essas pessoas se articularam, ocuparam espaço na academia, na mídia e nas esferas de poder, defendendo a normalidade da sua opção e fomentando a discriminação contra os defensores do entendimento histórico. Poderosos grupos de pressão levaram à desqualificação desse comportamento como patologia pelas sociedades médicas, psicológicas e psicanalistas. Pela primeira vez na história algo é excluído do rol das enfermidades, não em virtude de pesquisas científicas, mas de uma decisão política.

5. No campo religioso, além das religiões não-monoteístas, do judaísmo e do islamismo, a Igreja Romana, as igrejas do Oriente, as igrejas evangélicas e pentecostais, e a maioria das igrejas históricas mantiveram, apesar das pressões e das mudanças seculares, a sua tradicional teologia moral quanto ao tema da homossexualidade.

6. Nas últimas décadas do século 20, o debate tornou-se agudo em denominações históricas do Primeiro Mundo em torno principalmente de três pontos:

1) A “normalidade” da opção homoerótica (alegando ser a tendência de 3 a 10% da população);
2) A ordenação às sagradas ordens de homossexuais praticantes (não celibatários ou castos);
3) A criação de um rito para a bênção de “uniões de pessoas do mesmo sexo”.

Foi criada nos Estados Unidos a Igreja Metropolitana Universal, uma denominação com esses princípios. Algumas denominações tomaram decisões, “flexibilizando” suas atitudes. Atos de rebeldia localizados têm crescido. Tentativas de mudar constituições e cânones fazem parte do cotidiano de sínodos e convenções de algumas denominações históricas do Primeiro Mundo. Nesses casos, ou se tenta proceder a uma “releitura” dos textos bíblicos específicos, ou se descarta qualquer caráter normativo das Sagradas Escrituras, reduzidas à mera literatura religiosa, devocional e litúrgica.

7. Se, no passado, tivemos os desvios da teocracia (a igreja tutelando o Estado e a sociedade) e do “cesaropapism”o (o Estado tutelando a igreja e a sociedade), pretende-se hoje um “secularismo”, em que as decisões da igreja devem se subordinar às idéias e às práticas do Estado e da sociedade. Uma nova pneumatologia afirma o caráter iluminado e normativo dos concílios atuais, mesmo com a negação das decisões iluminadas do passado. O passado, na verdade (para esses “revisionistas”), é apenas um acúmulo de erros e ignorância. Alguns defendem a relatividade da verdade, ou a existência de “várias verdades”, ou a absolutização vaga, subjetiva, emotiva e inconsistente do “amor”.

8. No caso do anglicanismo, os documentos e decisões de dioceses, províncias e da própria Comunhão foram no sentido da reafirmação do paradigma heterossexual, culminando com a “Resolução sobre a Sexualidade Humana”, da Conferência de Lambeth, em 1998, que representa a ampla maioria da denominação, sob protestos e atos de rebeldia de setores localizados no Primeiro Mundo. Vantagens materiais (verba, ajuda, bolsas etc.) têm sido oferecidas a dioceses pobres para que calem a sua voz. Dá-se uma luta de poder. Os grupos de pressão, formados por pessoas de orientação homoerótica, ocupam amplos espaços nas cúpulas decisórias de dioceses e províncias. Há casos em que os que se opõem a essas teses são vedados à eleição e à ordenação. Como era de se esperar, milhões têm decidido sair, deixando essas denominações ou promovendo a fragmentação com uma série de cismas. A orientação de líderes como o Rev. John Stott é: “permanecer e resistir, com firmeza e com amor”.

9. A maioria das províncias e dioceses da Comunhão Anglicana acata e apóia a Resolução de Lambeth 1998. A tática atual dos “revisionistas” é evitar votações e normatizações e ir, na marra, criando “fatos consumados”, “forçando a barra”, como forma de confronto. Palavreado melífluo, como “espiritual” e “afetivo”, é usado por líderes provinciais e diocesanos para transformar a inclusividade em algo sem limites e a igreja, em uma “arca de Noé”. Talvez a igreja cristã esteja vivendo uma das maiores crises de sua história. Todos os pronunciamentos e resoluções dos órgãos responsáveis estão sendo ignorados. A disciplina interna das províncias e dioceses não se dá ou também é ignorada. Percebe-se a arrogância imperial do centro “iluminado” em relação à periferia “ignorante”. Há uma dimensão de geopolítica eclesiástica, com o deslocamento do eixo anglicano do Norte para o Sul, não aceito pelos primeiros. A heresia do destino manifesto e da missão civilizadora dos Estados Unidos, com a idolatria do patriotismo, manifesta-se tanto na política quanto na religião, na direita e na esquerda, no governo que despreza o direito internacional e a opinião pública mundial, e nos “revisionistas”, que desprezam as resoluções da Comunhão Anglicana e a opinião dos “ignorantes” do Sul.

10. Fala-se, já, em uma “balcanização” da Comunhão Anglicana: paróquias e dioceses revisionistas rebeladas, convivendo, dentro da mesma instituição, com paróquias e dioceses conservadoras inconformadas, que buscam liderança de outros bispos, dentro ou fora de sua província. É impressionante o que podem fazer as minorias organizadas, especialmente diante da omissão, do medo e do comodismo das maiorias desorganizadas.





Dom Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada.
www.ieabrecife.com.br



Artigo VI - Eu também quero menos deus
2008/08/10 02:42:13

Diogo Mainardi vem se firmando como um fino polemista. Seu artigo pedindo menos deus na revista de maior circulação brasileira causou espécie; bateu recorde de cartas, algumas concordando e outras tantas indignadas. Mainardi declarou que havia uma superexposição ou vulgarização do divino no Brasil. Protestou contra líderes inescrupulosos que alardeiam títulos cada vez mais espetaculares, mas têm o nome manchado por não pagarem suas contas. Afirmou torcer contra jogadores de futebol que gravam em suas camisetas frases de efeito sobre a fidelidade de Deus com letras menores do que a propaganda da multinacional que os patrocina. Uma semana depois, Roberto Pompeu de Toledo, outro cronista do mesmo semanário, mencionou a influência do fundamentalismo evangélico de direita na política americana e mostrou a falta de sensibilidade cultural de algumas agências missionárias que desejam evangelizar os árabes. Toledo reforçou o pedido de Mainardi: “Menos deus, por favor!” Percebi, entretanto, que o Mainardi grafou deus sempre em minúsculo. Não sei se o fez para distinguir deuses do verdadeiro Deus, ou se ele considera que só existe essa divindade pequena, fruto da imaginação humana. Contudo, eu distingo um do outro. A Bíblia também diferencia os deuses; há aqueles que chama de ídolos e há o Altíssimo, o criador do universo — Deus em maiúsculo.

Antes de condenar os articulistas à fogueira, preciso deixar claro: também quero menos deus — mas com “d” minúsculo. Quero menos demiurgos! Convenhamos, há algumas expressões da divindade que qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e análise crítica também consideraria desnecessárias.

Não quero um deus técnico,

Que, para satisfazê-lo, baste aprender uma técnica, recitar uma reza, aderir a um credo ou cumprir um ritual. Chega de manuais teológicos ou livros que nos ensinem os passos para agradar a Deus. Relacionamentos não dependem de técnicas. Muito do nosso pensamento ocidental vem do mundo grego, que entendia o universo numa relação de causa e efeito. Daí o fascínio teológico pelo cognitivo. Precisamos voltar a pensar Deus a partir da cosmovisão judaica, menos técnica e mais relacional. Jesus afirmou que a salvação vem dos judeus (Jo 4.21).

Por que a pós-modernidade ocidental rejeita a religião organizada? No Brasil, o segmento religioso que mais cresceu a partir do final da década de 90 foi o dos não religiosos. Paradoxalmente o misticismo e as práticas esotéricas fervilham exatamente entre esse grupo. Parece que as pessoas procuram práticas espirituais que não dependam de organização institucional, credos ou dogmas teológicos. Percebe-se que há um clamor pós-moderno pelo toque, pela experiência e pelo intuitivo. Quando o cristianismo ocidental voltar à teologia do afeto, ensinar às pessoas que elas podem experimentar a paternidade divina, poucas pessoas pedirão menos Deus. Ouvi uma história, cuja autenticidade desconheço, mas que serve para ilustrar essa carência pós-moderna: Um pastor viajava de avião pelo Oriente. Depois que se apresentou ao homem sentado ao seu lado, falou-lhe de seu trabalho. Antes de poder compartilhar a mensagem do evangelho, o homem questionou-lhe: “Pastor, em minhas viagens pelo Oriente, sempre que me sento ao lado de um monge, tenho a sensação de estar ao lado de um santo homem. Por que, ao me sentar ao lado de um pastor, tenho a sensação de estar perto de um homem de negócios?”

Não quero um deus oligarca,

Que crie elites poderosas em seu nome. Não quero um deus que gere pessoas soberbas; não quero uma religião em que as pessoas se enriquecem à custa da mensagem que pregam. Infelizmente o estigma que pesa sobre os religiosos é que Deus os fez cobiçosos, materialistas e cheios de ganância. As pessoas desdenham dos discursos piedosos com agendas duvidosas. O Millôr Fernandes assim se expressou: “Eu não dou dois centavos por um homem que lucra com os ideais que defende”. Precisamos mostrar que a vocação que vem de Deus capacita para o serviço, e não para a dominação; para o sacrifício, e não para o lucro. Os pastores são chamados para beberem o cálice que Jesus bebeu, tomarem a cruz sobre os ombros; tornarem-se criados de todos, principalmente dos pobres. A Igreja existe para servir, não para se autoproteger. Os cristãos vivem para se dar e não para se vangloriar. Quero um Deus que me inspire a afirmar como Paulo: “Estou pronto [...] para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (At 21.13).

Não quero um deus minucioso e controlador

Desde os dias de Jesus Cristo, passando pela igreja primitiva e pelo ministério de Paulo, o legalismo tem sido o joio tão parecido com o trigo. (Entenda-se legalismo como um fascínio religioso que tenta controlar todos os pormenores da vida das pessoas.) Os fariseus desciam a minúcias ridículas procurando legislar o que era ou não um dízimo; quantos passos podia-se caminhar em um sábado. Depois, na Idade Média, os concílios se arrastavam tediosamente por décadas, discutindo temas irrelevantes: quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete, quanto se deve pagar para abater um dia no purgatório. As pessoas não entendem como os religiosos perdem tempo, debatendo temas insignificantes da vida: o tamanho do cabelo das mulheres, as gravatas e as togas dos pastores. Se as grandes questões como a justiça, a paz entre as nações, a sorte dos inocentes e a esperança dos perdidos não dominarem nossas prioridades, todos os outros debates serão irrelevantes. Diante de um mundo em que milhões sofrem com o desemprego de um modelo capitalista neoliberal, em que a África arqueia sob o peso da miséria e da aids, em que a corrida armamentista consome riquezas inomináveis — é ridículo apequenar Deus a questões insignificantes.

Não quero um deus manhoso e instável

Eu não quero um deus que precise ser agradado o tempo inteiro. Não quero uma religião neurotizante, que me force a andar constantemente preocupado em acertar com perfeição absoluta para não ser castigado. Não quero que meu culto se transforme naquilo que foram os rituais pagãos: meras cerimônias que visavam aplacar a ira dos seus deuses. Não quero um deus restritivo e punitivo. Acredito em um Deus libertador. Concordo com o rabino Harold Kushner: “Acredito que a mensagem fundamental da religião não é a de que somos pecadores porque não somos perfeitos, mas a de que o desafio de ser humano é tão complexo, que Deus não perde tempo esperando de nós a perfeição. A religião vem para purificar-nos de nosso sentimento de desvalia e para assegurar-nos de que, quando tentamos ser bons, e não conseguimos ser tão bons quanto desejávamos ser, não perdemos o amor de Deus... A religião é a voz que diz: eu vou guiá-lo através desse campo minado das difíceis escolhas morais, compartilhando com você a percepção e a experiência das grandes almas do passado, e vou lhe oferecer o conforto e o perdão quando você estiver perturbado pelas escolhas dolorosas que fez”.
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Eu quero menos deus, mas quero mais Deus para que sua mensagem continue a inspirar novos Bachs e novos Hendels a comporem hinos de pura beleza. Quero menos deus e mais Deus para que outros Martin Luther Kings e outros Mandelas se levantem como profetas da justiça. Quero menos deus e mais Deus para que outros Simontons, Vingrens e Madres Teresas se aventurem a singrar mares e culturas com o ideal de Cristo. Quero menos deus e mais Deus para que muitas igrejas sejam plantadas nos morros violentos do Rio de Janeiro, para que se multipliquem os evangelistas que enfrentam as penitenciárias imundas do Brasil, saqueando vidas do inferno e povoando o céu. Quero menos deus e mais Deus, para que continuemos acreditando no amanhã.

Artigo VII - Cada teologia tem a sociedade que merece
2008/08/10 02:20:13









Jesus orou para que, estando no mundo, ficássemos livres do mal, mas parece que insistimos em sair do mundo e continuar com o mal. Afastamo-nos das formas culturais como se fossem malignas por si mesmas, mas permitimos que valores errados nos influenciem, desde que tomem formas religiosas. Afastamo-nos também das indagações do mundo. Como disse alguém: dizemos que Cristo é a resposta, mas para qual pergunta? Já não conhecemos as perguntas que o mundo nos faz.

Vamos investigar uma idéia que é constante no cinema atual: carma ou escolha. Existe o livre-arbítrio ou seguimos um destino pré-determinado? Vários filmes recentes tratam do assunto. Talvez seja um sinal de que esta nossa megacultura ocidental está descobrindo suas fraquezas, precisando se reinventar, e busca subsídios teológicos para isso.

Um desses filmes, o mais poderoso em formar pensamentos, é “Matrix” (1 e 2). O primeiro virou “cult”, filme cheio de inovações gráficas e de pseudo-enigmas; digo pseudo porque o segundo filme responde a todos eles e revela o balaio de gato sem fim que é o mundo de “Matrix”. Se o primeiro deixou dúvidas quanto à filosofia dos autores, o segundo traz tudo às claras. Quando Neo (Keanu Reaves) finalmente encontra o “Arquiteto” (que, na cabeça dos diretores delirantes, deve ser uma mistura de Deus como foi retratado por Michelangelo na capela Sistina, e de Bill Gates), este discursa longamente sobre o livre-arbítrio. Propõe que o grande problema do messias é o livre-arbítrio. Ele tem capacidade de escolha, e a usa mal, o que o coloca num círculo infinito de novas tentativas, forçado a repetir o mesmo destino cármico de fracasso, deixado pelo que veio antes dele... Sei lá se entendi mesmo essa bagunça hinduísta-exotérica-digital, que é o retrato perfeito do pós-modernismo. Mas esse vale-tudo filosófico traz à cabeça da geração atual uma importante pergunta: podemos escolher nosso destino? Ou temos apenas uma falsa sensação de liberdade, criada pelo arquiteto sádico desta matrix em que vivemos?

A história de “Minority Report”, de Spielberg, é mais simples. Num futuro não muito distante decide-se testar um programa para evitar assassinatos. O programa é parte da polícia local, chamada Divisão Pré-crimes, que se baseia em informações transmitidas por três videntes, chamados Precogs. Os videntes são capazes de ver os crimes antes de acontecerem. A polícia corre ao local e evita o crime, prendendo o pré-criminoso, que é tratado como um criminoso de fato, apesar de não ter cometido nenhum homicídio.

A história esquenta quando os videntes têm uma premonição de um crime que o próprio chefe da polícia John Anderton (Tom Cruise) cometeria. As imagens dele matando um homem que ele nem mesmo conhecia aparecem na tela das premonições. O feitiço se volta contra o feiticeiro. O chefe dedicado se vê vítima do sistema no qual confiava plenamente. De acordo com este sistema, um pré-criminoso é um criminoso real, porque o futuro visto pelos videntes é tratado como uma realidade inexorável.

Alguns teólogos já disseram que se o futuro é conhecido (seja por Precogs ou por Deus), o livre-arbítrio não existe de fato. Tudo obedece a um desenho previamente feito — uma vontade soberana que engole todas as outras vontadezinhas em seu grande útero.

Essa “teologia” gera a sociedade do pré-crime. A predeterminação torna essa utopia possível, até desejável. Basta que conheçamos o destino programado para cada um e nos encarreguemos de protegê-lo desse destino, prendendo pré-assassinos, eliminando intra-uterinamente alguns indivíduos cujo mal inerente o justifique. Se os Precogs conseguissem prever um novo Hitller ou um novo Saddam, sua eliminação seria automática.

Esse futuro pode estar mais perto do que imaginamos. A genética moderna sofre da mesma síndrome dos Precogs. Alguns cientistas afirmam que existem genes responsáveis por comportamentos morais. No futuro, um exame de sangue poderá nos dar as dicas que precisamos, poderá desenhar o perfil do indivíduo — se assassino, estuprador ou franco-atirador. Será um mundo limpo. Um hemograma, um perfil genético, e a sociedade do pré-crime se arma de razões para processar, prender e até eliminar seres humanos.

Essa utopia é um produto direto de nossa teologia cristã. Somos o que cremos. Nossas crenças são a base de tudo o que construímos. A teologia da predeterminação está no coração da cultura ocidental, desde Philo e Agostinho. Também está no coração das sociedades islâmicas fundamentalistas, absolutas e totalitárias: “Maktub” — está escrito. Será Deus o mesmo Alá?

Mas, e se fosse diferente? Se, em vez de teologarmos e filosofarmos, acreditássemos puramente na Bíblia? Ela diz que Deus se arrependeu de ter feito o homem (Gn 6.6). Ao descobrir que o ser livre que havia criado escolheu negar-lhe amor e ainda afrontá-lo com uma impiedade além de todos os limites, Ele sofreu. Sofreu tanto quanto um homem que, tendo tirado uma mulher da mais suja lama moral, drogada, suja, prostituída, se casa com ela, tem filhos, constitui uma família. Um dia este homem chega em casa e não vê sua esposa. Ela voltou para as ruas. Preferiu a lama, as drogas, o sofrimento degradante. O marido sofre agora, não por si mesmo, mas pelo destino que sua amada escolheu e que a fará sofrer. Essa é a metáfora proposta por Deus para falar de seu amor pelo povo de Israel, no livro de Oséias. Alguns teólogos que me desculpem, mas esta não é a imagem de um Deus-Alá indiferente e soberano sobre a vontade humana.

Todas estas, além de inúmeras outras passagens literais e metafóricas da Bíblia, perdem o sentido se o futuro for causado, se o livre-arbítrio humano não for real, mas um artifício divino para nos dar apenas a impressão de liberdade. A Bíblia passa a ser um livro sobre a grande matrix ilusória de Deus, e não o livro destinado a nos descortinar a verdade sobre o amor de um Deus que espera para ser amado, que nos pede para escolher a bênção em vez da maldição.

Engraçado que, diferente dos idealizadores de “Matrix”, o judeu Steven Spielberg escolhe como final esta última versão da verdade sobre o ser humano. No final a sociedade do “Minority Report” redescobre que é livre. O chefe da polícia, quando encara face a face o seu próprio crime, é surpreendido pela voz da vidente que lhe diz: “Não! Você é livre para não matá-lo.” O próprio criador do sistema, Lamar (Max von Sydow), que por anos seguidos prendeu pré-criminosos, também se vê de frente com o seu próprio destino. A visão de seu pré-crime aparece na tela. Com uma arma na mão, encara Anderton, que lhe diz: “Se você me matar, vai para a cadeia, mas prova para todos que você está certo”.

No entanto, ele próprio se sabe livre e atira contra si mesmo, numa confissão desesperada de fracasso. A sociedade se liberta da arbitrariedade do pré-crime, antes consagrada como a solução de todos os males. Os pré-criminosos voltam às ruas e deixam de pagar pelo que poderiam ter feito, mas nunca fizeram. E todos respiram aliviados por se verem restaurados novamente à sua dignidade de seres humanos no comando de seu destino.

Ligados a uma rede de fios, mergulhados numa piscina azulada que lhes mantinha aquecidos, os Precogs eram uma visão grotesca no início do filme. O local onde ficavam chamava-se templo e não era visitado por ninguém. Eles não eram capazes de interagir. Sua única função era prever o futuro. Eram três, uma trindade divinizada (coincidência?) e seus policiais do pré-crime eram chamados de sacerdotes. No fim, invalidadas suas previsões, recobram sua humanidade e voltam a viver como qualquer outro ser humano, numa metáfora que me faz pensar em Salmos 78.41, Isaías 53, Lucas 23 e tantas outras passagens que nos mostram o Deus supremo limitando-se em seu próprio poder por nos ter feito livres e sujeitando-se à morte na cruz para assim, apesar de nossas escolhas erradas, poder nos redimir.

Se verdadeiro livre-arbítrio implica uma definição diferente para a onisciência divina não me importa. Se o livre-arbítrio respalda a idéia da meta-história, que se desenrola para Deus na eternidade e para os homens na terra, numa interação dinâmica e temporal da divindade com a humanidade, também não me importa. Se é armeniana ou calvinista esta idéia não me importa. Como os judeus, povo tribal sem pretensões filosóficas, não pretendo dissecar Deus e sua vontade como se disseca um defunto numa aula de anatomia. Para mim, a teologia verdadeira é aquela que me aproxima dele e de seu amor.

Spielberg tem razão em sua crítica às incoerências da teologia cristã. O Deus do Antigo Testamento não escolheu o caminho mais simples, o de eliminar a possibilidade do mal, criando um jardim perfeito de autômatos sem vontade. Conviver com a possibilidade do mal, permitindo-nos ser capazes de discernir e escolher entre o bem e o mal, foi um caminho mais arriscado, mas que tornou possível o amor. Que Deus nos permita continuar crendo nisso. Cada teologia tem a sociedade que merece. Uma proposta “teo-filosófica” diferente poderia mudar o futuro do mundo? Resta a nós, cristãos, decidirmos.











Bráulia Inês Ribeiro é missionária em Porto Velho, RO, onde leciona lingüística e missiologia na Escola de Treinamento Transcultural da JOCUM — Jovens Com Uma Missão.
braulia_ribeiro@yahoo.com











 
Arigo I- Fora da Prisão
2008/08/10 02:15:33

Evandro Lins da Silva, um dos maiores juristas brasileiros, morto em dezembro de 2002, considerava a prisão uma forma de tortura: “é a morte em conta-gotas”. O índice de suicídios nas prisões francesas é sete vezes mais alto que entre a população em geral. Só em 2001, 120 detentos se mataram na França. E o especialista em crimes de colarinho branco, o advogado americano Scott Turrow, afirma que só um quarto das pessoas presas nos Estados Unidos não voltam às prisões. Todos os demais tornam ao crime e conseqüentemente à prisão.

Todavia, prisão não é só aquele cubículo onde a lei coloca o culpado de algum crime. É muito mais que isso. Pode ser aquela situação temporária de intenso sofrimento para o qual parece não haver alívio de espécie alguma. Pode ser uma enrascada na qual se cai e da qual parece impossível sair devido ao emaranhamento das circunstâncias. Pode ser algum período de angústia insuportável, sem abertura, nem janela, nem sol, nem claridade. Pode ser a escravidão ao mau gênio, à violência, às drogas, à pornografia. Pode ser as quatro paredes da imaginação sempre medrosa e pessimista, dentro das quais nós mesmos nos colocamos. Pode ser a “prisão de Deus”, nome dado pelos antigos à doença.

Frente a qualquer tipo de encarceramento — físico, emocional e moral — e diante da complexidade do problema, a prece é a providência mais simples e mais promissora. É preciso enxergar esse recurso e sair da prisão por meio dele. Um dos clamores mais notáveis do rei Davi foi nessa direção: “Liberta-me da prisão” (Sl 142.7, NVI). Pois prisão é prisão mesmo. Nela não há portas abertas nem alçapões escancarados. Só há trancas e ferrolhos. Somente Deus pode soltar as algemas, adormecer profundamente os guardas e abrir os portões de ferro, como fez com Pedro, enquanto “a igreja orava intensamente a Deus por ele” (At 12.5, NVI).

Além de defender a causa dos oprimidos, de dar alimento aos famintos, de devolver a vista aos cegos, de proteger o estrangeiro, de sustentar o órfão e a viúva, “o Senhor liberta os presos” (Sl 146.7, NVI). Na profecia de Isaías, o Servo do Senhor veio “para libertar da prisão os cativos e para livrar do calabouço os que habitam na escuridão” (Is 42.7, NVI). É Ele que tem quebrado as correntes, despedaçado as portas de bronze e rompido as trancas de ferro para soltar o seu povo no correr da história (Sl 107.14-16, NVI). O próprio salmista é um dos agraciados: “Senhor, livraste-me das minhas correntes” (Sl 116.16, NVI).

Por mais reforçada que seja, a prisão prende apenas o indivíduo, mas nunca a sua súplica!

Artigo III - Olhando Para Jesus
2008/08/01 21:22:39

"PORTANTO,NÓS TAMBÉM,POIS ESTAMOS RODEADOS DE TÃO GRANDE NUVEM DE TESTEMUNHAS, DEIXEMOS TODO EMBARAÇO, E O PECADO QUE TÃO DE PERTO NOS RODEIA, E CORRAMOS COM PERSEVERANÇA A CARREIRA QUE NOS ESTÁ PROPÓSTA, FITANDO OS OLHOS EM JESUS, AUTOR E CONSUMADOR DE NOSSA FÉ, O QUAL, PELO GOZO QUE LHE ESTAVA PROPOSTO, SUPORTOU A CRUZ, DESPREZANDO A IGNOMINIA, E ESTÁ ASSENTADO A DIREITA DO TRONO DE DEUS" (Hebreus 12:1,2)


O texto acima nos recomenda olhar para Jesus, apresentando a razão para tal procedimento.Ele é o autor e consumador de nossa fé., Em nossa vida da qual ele é o autor, está infundida a fé. È através dela que o pecado recebe a salvação: "Pela graça sois salvos, por meio da fé..." ( Efesios 2:8).Jesus é também nosso exemplo de confiança em Deus: "E outra vez: Porei nele a minha confiança. E ainda: Eis me aqui, e os filhos que Deus me deu" (Hebreus 2:13) Jesus se fez carne, se esvaziou-se da glória de que possuia nos céus, significando que foi como nós. Ele depositou toda a sua confiança em Deus. Por osso devemos fitar nossos olhos espirituais em Jesus, tendo-o como exemplo de fé.Viver fazendo a vontade de Deus é outro ponto a considerar. Não é facil dominar nossa vontade.A velha natureza que convive conosco, deseja fazer a sua própria vontade cebtrada no ego.Jesus viveu com o objetivo único de fazer a santa e boa vontade do Pai: "Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como o ouço, assim o julgo; e o meu juizo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (joão 5:30). Olhando para Jsus, veremos que é muito melhor fazer a vontade do Pai.E o que diremos da oração? Todos reconhecemos o seu valor, no entanto, a triste realidade é que oramos tão pouco. Precisamos orar mais. Muito mais. Qual é o nosso referencial? Novamente é Jesus. Devemos olhar para sua vida de oração. Marcos 1:35, encontramos este relato: " De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava".vivemos neste mundoenfrentando dia a dia lutas e tentações O Diabo está sempre  nos rondando. temos condições de vence-lo. Basta que olhemos para Jeus: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porem, um que,como nós,em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cgeguemo-nos, pois confiadamente, ao trono da graça, para que recebamos misericordia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno" (Hebreus 3:15,16)


Gostamos de receber favores, de sermos os mais importantes," afinal de contas, merecemos", racionaliza a nossa natureza terrena, cercada de "eu" por todos os lados, pensamos assim até olhar para Jesus. Ai a coisa muda: " E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servos de todos. Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" (Marcos10:44,45). vale muito apena olhar pra Jesus e seguir passo a passo os seus passos.


(Trasncrito do Jornal Batista- Pr. Pedro Solonca) 

Artigo IV - Onde está a Esperança do Cristão.
2008/08/01 14:53:13

E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer,para que sejais ricos de esperança no poder do Espirito Santo ( Romanos 15:13)


A esperança permite ao crente atravessar vitoriosamente as provas da vida e a encarar a morte e as suas consequências sem se entristecer, como fazem os que não tem esperança. Contrariamente a tudo o que engana o coração humano, a esperança cristã satisfaz aquele que a possui, pois lhe confere uma razão de viver. Para ele as promessas de Deus tem o valor e autoridade dAquele que as fez.


Que promessas são essas?


A vida eterna - que só pode ser obtida mediante a fé em jesus o Salvador, morto na cruz para expiar nossos pecados(Tito 1:2).O retorno do Senhor Jesus Cristo - para arrebatar a sua igreja frmada por todos os que verdadeiramente pertencem a Ele pela fé, sem importar qual seja o ambiente cristão ao qual estão ligados (filipenses 3:20)A herança celestial - da qual gozarão com Cristo todos os que tiverem crido nEle(1 Pedro 1:4). Seu reinado - ao qual os seus estarão associados, reinando com Ele (2 Timoteo 2:12).Mas o grande objetivo da esperança do crente é a pessoa do Senhor Jesus Cristo, a qual todas as bençãos estão relacionadas, aquele em que a Bíblia chama, Cristo Jesus , nossa esperança (1 Timoteo 1:1).Contemplar ao Senhor e está sempre com Elefará eternamente felizes a todos que lhe pertencem.


(Boa Semente)

Artigo II - A Bíblia, A Palvra de Deus
2008/07/29 15:38:22
Jesus, porem, respondeu: Está escrito:Não só de pãoviverá o homem, mas de toda palavra que´procede da boca de Deus. ( Mateus 4:4)



Alguem falou certa vez que " o papel tem muita paciência". esta declaração tinha o intuito de expressar suas dúvidas quanto a algo que ele tinha de ler. Qualquer coisa pode ser registrada em papel, até mesmo um monte de bobagens. Por outro lado, alguns dizem:" vou-lhes passar isto por escrito', a fim emprestar maior autoridade às  suas palavras. O que é que faz com que as pessoas encarem a palavra escrita de forma diferente? Depende muito de quem escreve" Se o primeiro caso expressa dúvida, o segundo, no entanto, demonstra claramente que o autor se responsabiliza por aquilo que disse.A Bíblia, pois,é um livro impresso.O que voce acka dele? em quais das duas categorias acima voce o encaixa? Voce duvida do seu conteudo, ou voce reconhece que seu autor é o Deus vivo, que garante a verdade de sua Palavra?As respostas a estas importantes perguntas determinam a nossa posição não apenas para essa vida, mas também para a eternidade.O Senhor Jesus Cristo disse: " Está Escrito", confirmando assim a autoridade divina das Sagradas Escrituras.


No Passado,Deus falou através dos profetas, depois na pessoa do seu Filho e através dos apostolos. Rejeitar a Bíblia significa não crêr em Deus, e quem diz que acredita em Deus e despreza o que na Bíblia está está escrito, não faz parte do reino de Deus e nem a ele pertence, pelo fato de desprezar a sua Palavra. Por isso é importantissimo ler a sua Palavra e levra a sério a sua mensagem, não se fazendo só de ouvinte, mas praticante. A Palavra de Deus é tão ou mais importantedo que o nosso pão do dia a dia." mas de 2.000 vezes, as Escrituras Sagradas declaram ser a Palavra de Deus. qual dos maiores escritores da literatura secular poderia acrescentar a seguinte frase: "Assim disse o Senhor" à sua obra? Certamente a Bíblia carrega em todas as partes as inegaveis marcas da autoria divina e de sua inspiração infalivel e inerente.  ( R.K.Campbell)








 










 

Post2
2008/07/29 15:38:22
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