| |
A história mundial dos Batista pode ser contada a partir de duas raízes principais:
a) Das suas doutrinas;
b) Do surgimento no cenário mundial com o nome Batista.
CONSIDERANDO AS RAÍZES DOUTRINÁRIAS, os Batistas saem diretamente das páginas do Novo Testamento: dos lábios e ensinos de Jesus e dos apóstolos e tem sua trajetória marcada pela oposição a toda corrupção da doutrina cristã claramente exposta no Novo Testamento.
Ao consultar a DECLARAÇÃO DOUTRINARIA da Convenção Batista Brasileira você verá que as nossas doutrinas saem, com clareza límpida, das Sagradas Escrituras.
A corrução de algumas doutrinas e praticas do cristianismo começaram a surgir muito cedo em sua história, como pode ser constatado nos escritos dos apóstolos. Esta corrução foi se ampliando após a "conversão" do Imperador Constantino ( 306 a 337) ao cristianismo, ocorrida a partir de 312 quando incorporou a cruz ao seu estandarte e passou a favorecer os cristãos.
Muitos destes resistentes rejeitavam as inovações doutrinárias e as praticas e por isso foram perseguidos, exilados e mortos.
Eles mantiveram acesas as doutrinas cristãs genuínas e possibilitaram, que através dos tempos, outros se levantassem na Idade Média como Cláudio de Turim, Pedro de Bruys e Henrique de Lausanne, Pedro Vado João Wycleffe, João Huss e muitos outros.
Com o surgimento da Reforma Protestante liderada por Martinho Lutero, e deflagrada em 31 de outubro de 1517quando da publicação das suas famosas 95 teses, na porta do Castelo de Wittenberg, criou-se a oportunidade de que muitos grupos dissidentes intensificassem suas pregações, e entre eles os chamados Anabatistas que sustentavam muitas doutrinas que os batistas esposam e representavam o grupo mais ativo e poderoso daquele momento. O nome que lhes foi dado ANABATISTAS "significa os rebatizadores".
Finalmente, 1608 um grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa, liderados por John Smyth que era pregador e Thomas Helwys que era advogado, organizaram em Amsterdã, em 1609 uma igreja de doutrina batista, como era o sonho dos dois lideres.
John Smyth batizou-se por imersão e em seguida batizou os demais fundadores da igreja, constituindo-se assim a primeira igreja organizada, tendo como espelho as doutrinas do Novo Testamento inclusive o batismo por imersão e mediante a profissão de fé em Jesus Cristo.
Com a morte de John Smyth logo depois, e da decisão de Thomas Helwys e seus seguidores de regressarem para a Inglaterra, a igreja organizada se desfez e parte dos seus membros se uniram aos menonitas.
CONSIDERANDO AS RAÍZES DO NOME BATISTA, a historia começa com a organização da Igreja em Spitalfields, nos arredores de Londres, em 1612, por Thomas Helwys e seus seguidores, já batizados na Igreja em Amsterdã. É esta Igreja, que agora inicia a linhagem de igrejas batistas que começam a crescer na Inglaterra sob severa perseguição por dissentirem da igreja oficial, a Igreja Anglicana.
A perseguição aos batistas e a outros grupos separatistas, os levou a várias partes do mundo, e em especial às colônias da América do Norte, em busca da liberdade religiosa.
Dois ilustres homens são considerados fundadores das igrejas Batistas em solo americano, Roger Williams, que organizou a Primeira Igreja Batista de Providence em 1639, na colônia que ele fundou com o nome de Rode Island, e John Clark que organizou a Igreja Batista de Newport, também em Rods Island e conhecida desde 1648. Os batista se espalharam pelas diversas colônias da América do Norte e fora influentes na formação da constituição americana de 1781.
A expansão dos Batistas no mundo.
Em 1791, um jovem pastor inglês chamado William Carey sentindo forte compaixão pelas multidões pagãs da Índia, decidiu iniciar com o apoio de vários pastores, um movimento para o envio de missionário àquelas terras. Assim foi criada a Sociedade de Missões no Estrangeiro, que tem tido uma participação muito grande na expansão da obra Batista na Ásia e África além de outros continentes e inclusive no Brasil.
Por sua vez, os Batistas Norte Americanos foram grandemente motivados a evangelizar o mundo. Um jovem casal de missionários Adoniram e Ana Judson enviados em 1812 pela Igreja Congregacional, para evangelizar a Índia, com destino a Calcutá, examinando a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, a doutrino do batismo, já que iriam se encontrar com o missionário Batista William Carey e seu grupo de pastores, acabou por concluir que os batista estavam certos. Eles foram batizados pelo Pastor William Ward companheiro de Carey.O mesmo fato aconteceu com outro missionário Congregacional, também enviado a Índia, Luther Rice, que igualmente foi batizado, tornando-se Batista.
Eles decidiram que Adoniram Judson permaneceria no Oriente e Luther Raice voltaria aos Estados Unidos para mobilizar os Batistas para a obra missionaria. Seu trabalho vingou e em maio de 1814, foi funda uma Convenção em Filadélfia com o nome de "" Convenção Geral da Denominação Batista nos Estados Unidos para Missões no Estrangeiro".
A partir daí, a obra missionária dos batistas iniciou um gigantesco crescimento. Chegando inclusive, através dos Batistas do Sul dos Estados Unidos, o Brasil. onde foi organizada, no dia 15 outubro de 1882, a Primeira Igreja Batista para Brasileiros em nossa terra e, deste trabalho, é que surgiu a Convenção Batista Brasileira.
Hoje os Batista estão presentes, em cerca de 200 países e representam uma população de perto de quarenta milhões de membros e atingem cerca de cem milhões de pessoas no mundo inteiro.
HISTÓRIA DOS BATISTAS
Conta-se que numa determinada igreja do interior do Brasil, um grupo de pessoas reuniu-se, como de costume, num dos cultos de quarta-feira, com o objetivo de escolher o nome mais adequado para uma nova congregação a ser fundada. Com a mediação equilibrada do pastor, todos os membros presentes puderam dar sua sugestão, democraticamente, antes que a decisão fosse tomada. No calor dos comentários e opiniões livremente expostas, uma idéia de nome causou espanto: "Igreja Batista do Apocalipse 21", propôs um dos participantes mais entusiasmados. Diante da explosão de exclamações de espanto que sucederam a estranha proposição, o pastor solenemente interpelou o autor: "Mas o irmão acredita que esse nome seja biblico?" Para surpresa do ministro que presidia a sessão e de todos os presentes, a resposta veio rápida e certeira: "Só não seria bíblico se a sugestão fosse, por exemplo, Igreja Batista do Apocalipse 23, pois como o senhor bem sabe, não existe esse capítulo na Bíblia", rebateu o fiel.
Essa simples anedota exemplifica de maneira clara um conceito fundamental entre os adeptos da Igreja Batista, uma das mais sólidas e conceituadas denominações protestantes do Brasil: a valorização da liberdade e da democracia. Desde seus primórdios, os batistas decidem democraticamente sobre todas as questões que se referem à sua igreja, desde que mantidas as bases bíblicas, das quais não abrem mão. A postura batista com relação a liberdade exercida por seus membros se confunde com a história da igreja. As famosas Declarações de Fé - documentos escritos por teólogos da igreja que através dos séculos reproduzem sua ideologia - já marcavam essa posição muito antes do primeiro missionário pôr os pés no Brasil, em 1860. Naquele ano, o missionário norte-americano Thomas Jefferson Bowen aportou na cidade do Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil. Na longa travessia marítima, dois livros foram seus companheiros de viagem em alto-mar: a Bíblia e o Cantor Cristão.
O pastor Bowen foi o primeiro missionário enviado ao Brasil pela Junta de Richmond, associação de igrejas batistas do Sul dos Estados Unidos. Sua missão era organizar uma igreja de língua inglesa para os imigrantes americanos. Também tinha intenção de trabalhar entre os escravos, já que vinha de um longo período como missionário na África, onde inclusive aprendera o dialeto iorubá, corrente entre os negros traficados para o Brasil. Seu sonho missionário, entretanto, virou pesadelo. Além de sofrer sérios problemas de saúde, o pastor foi impedido pelas autoridades de propagar uma mensagem cristã que se caracterizava pela distância com os ensinos católicos, até então a religião oficial do país. Bowen acabou ficando no Brasil por apenas nove meses, período emque se comunicava com freqüência, através de relatórios, com seus superiores da Junta. Nestas epístolas, o missionário se queixava do alto custo de vida, do clima quente da cidade do Rio de Janeiro e principalmente daameaça da febre amarela, problema crônico de saúde naqueles idos do século 19.
A Junta de Richmond ficou tão decepcionada com as dificuldades enfrentadas por Bowen que não quis mais arriscar e cancelou todos os planos missionários para a América do Sul. Mas Deus tinha seus planos. Depois dessa primeira tentativa frustrada, não demorou muito e um conflito social acabou sendo o estopim que detonou a verdadeira explosão missionária no Brasil. Com a Guerra de Secessão (1859-1865), entre os estados do Norte e do Sul dos EUA, milhares de imigrantes americanos vieram para o Brasil a partir da segunda metade do século passado, em busca do sonho da paz e prosperidade. Em sua maioria, os colonos eram de formação protestante. Curiosamente, essa segunda onda evangelística tinha um caráter bem mais informal - ao contrário da missão de Bowen, planejada e patrocinada pela Junta de Missões Estrangeiras, essa leva de protestantes emigrou em busca da sua própria sobrevivência.
Thomas Jefferson Bowen era missionário americano na Nigéria, África, trabalhado entre os nativos da tribo Yoruba. Depois de algum tempo na África, retornou aos EUA e foi enviado em 1860 para o Brasil, uma vez que muitos escravos que falavam o dialeto yoruba,(língua corrente entre os negos traficados) podiam ser alcançados.
Oito meses depois, devido a problemas de saúde e pelo impedimento das autoridades de pregar o evangelho, visto que sua mensagem se distanciava dos ensinos católicos, até então a religião oficial do país, Bowen precisou retornar ao seu pais, desta vez em definitivo.
Tempos depois, um grupo de colonos norte americanos, sulistas derrotados na guerra entre o sul e o norte (1859 – 1865), desembarcou no Brasil, em Santa Bárbara do Oeste,SP. Grande parte destes colonos eram de origem protestantes e em 10 de setembro de 1871 eles organizaram a Primeira Igreja Batista em terras brasileiras, sob a coordenação do pastor Richard Ratcliff. No inicio os cultos ainda eram em inglês, o que afastava os habitantes locais. Os primeiros cultos em português só ocorreram dez anos depois, com a chegada ao Brasil do missionário William Buck Bagby e sua esposa Anne, que rapidamente aprenderam o português, no colégio Presbiteriano de Campinas. Um dos instrutores do casal foi o ex-padre Antonio Teixeira de Albuquerque. Sacerdote católico na província de Alagoas, ele converteu-se ao protestantismo sozinho, ao estudar a Bíblia. Depois de abandonar a igreja de Roma, o ex-padre peregrinou pelo Brasil até chegar a Campinas, onde tornou-se o primeiro brasileiro a ser consagrado pastor batista.
A conversão do católico , contudo, foi uma exceção. Falar do evangelho naqueles dias era motivo de perseguições e, até mesmo, espancamentos. Tudo por causa da intolerância religiosa patrocinada, principalmente, pela igreja Católica. Certa vez o casal Bagby estava realizando um batismo numa praia do Rio quando foram interrompidos pelos gritos de “hereges” por uma multidão enfurecida. William foi detido por um homem que afirmava estar cumprindo ordens do chefe de policia. Na verdade, a prisão fora ordenada por um padre, irritado com o trabalho dos missionários batistas. A situação só foi contornada graças aos jornais da cidade, que descobriram a artimanha e publicaram reportagens condenando o comportamento das autoridades. A repercussão foi tanta que a policia acabou sendo forçada a dar cobertura aos cultos dos crentes.
Naquele mesmo ano de 1881, o casal Bagby, auxiliado por outra dupla de missionários, Zacchary e Kate Taylor, deram seqüência ao seu plano evangelístico e decidiram pregar nos grandes centros urbanos do Brasil. Para tanto, viajaram até a Bahia e no dia 15 de outubro fundaram primeira igreja Batista do Brasil, em Salvador – na época, a segunda maior cidade do país, com 250 mil habitantes. O sucesso do trabalho no nordeste encheu William Bagby de coragem, e ele resolveu vir para o Rio de Janeiro, onde fundou uma congregação no bairro do Estácio que, logo de inicio, conseguiu a adesão de quatro pessoas.
Com a abertura do campo missionário brasileiro través do sucesso de Bagby, as organizações batistas americanas resolveram investir. Os obreiros americanos que aqui chegavam traziam consigo o modelo de igreja que conhecia na sua terra natal, implantando a estrutura eclesiástica americana. Alem da estrutura cuidadosamente organizada, as igrejas brasileiras fizeram questão de manter o modelo congregacional de governo caracterizado pela autonomia de cada igreja local – uma marca dos batistas que predomina até hoje. Com o tempo, as comunidades foram adaptando seus costumes à realidade brasileira, mas sempre mantendo a identidade.
À medida que as igrejas batistas se multiplicavam surgiu a necessidade de reafirmar o ideário do segmento. Essa tradição ideológica jamais se perdeu no tempo, graças à estratégica programação através de publicações como livros, Bíblias, revistas de estudo e jornais. A tradição batista legou aos evangélicos brasileiros outra preciosidade: O Cantor Cristão, que eternizou centenas de hinos cantados até hoje por crentes de todo pais. Da primeira edição, de 1891, até hoje, as paginas do cantor tem sido fonte de louvor e inspiração. Dos hinos do acervo, mais de 100 foram compostos ou traduzidos pelo missionário e músico judeu polonês Salomão Luiz Ginsburg, que viveu 37 anos no Brasil. Ginsburg é considerado por muitos o mais importante hinologista brasileiro também foi um evangelista de visão avançada para o seu tempo. Coube a ele o mérito de ter sido o primeiro a imaginar uma associação que agrupasse todas as igrejas da denominação em 1894. As idéias de Ginsburg acabaram influenciando a história da igreja Batista Brasileira.
Como as congregações do inicio do século não tinham condições de sozinhas, alcançar todo território brasileiro e o exterior, em 1907 surgiram duas grandes entidades missionárias: a Junta de Missões Nacionais (JMN), e a Junta de Missões Mundiais (JMM). Hoje, esses departamentos contam com uma média de mil missionários espalhados pelo Brasil e pelo mundo todo. Também no inicio deste século, as igrejas passaram a se agrupar nas chamadas convenções, com o objetivo de gerir causas comuns como o trabalho de missões e a manutenção de seminários, orfanatos, asilos e colégios. Essa estrutura ampliou-se, buscando cooperação entre as igrejas. Surgiu assim a CBB – Convenção Batista Brasileira, que abriga aproximadamente 5,6 mil igrejas da denominação, com quase 6 mil pastores e aproximadamente um milhão de membros. A convenção possui uma média de mais de 500 missionários no exterior.
Convenção Batista Brasileira (CBB)
Sede: Rio de Janeiro
Fundação: 1907
Fiéis: O último censo da denominação, realizado em 1995, encontrou 873.319 membros. A estimativa atual é de 1 milhão de fiéis
Pastores: 5.890
Templos: 5.554
Distribuição: As igrejas da CBB estão disseminadas por todo o território nacional. A convenção mantém mais de 500 missionários no exterior.
Atividades da denominação: Existem dezenas de seminários em todo o Brasil, dos quais o maior é o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro, com mais de mil alunos, referência nacional do ensino religioso. Como as igrejas batistas são independentes umas das outras, não existem estatísticas centralizadas sobre atividades assistenciais como escolas, creches, asilos e orfanatos, que são mantidos pelas congregações locais. Um dos projetos mais destacados nessa imensa rede de ação é o Reencontro, da Primeira Igreja Batista de Niterói (RJ). Utiliza amplo sistema de comunicação, com programas de rádio e TV, além de revistas e jornais. Denominação fortemente identificada com a História do país, a Igreja Batista tem influído, ao longo do século, em diversos setores da sociedade, seja através de ações diretas de seus departamentos ou da atuação de seus membros envolvidos na política, nas instituições civis e no meio acadêmico.
INICIO DOS BATISTAS RENOVADOS
AVIVAMENTO
Um dos motivos de orgulho dos batistas brasileiros - a coesão - só veio a sofrer um abalo considerável no final da década de 50. O Brasil presenciava um avivamento pentecostal, iniciado pelo trabalho de missionários norte-americanos. Foi a época do surgimento de grandes igrejas carismáticas, como a Quadrangular, o Brasil Para Cristo e a Nova Vida. Paralelamente, diversos setores evangélicos tradicionais experimentaram a renovação espiritual. Não demorou muito e o movimento alcançou os arraiais batistas, através de um pastor ainda pouco conhecido, mas que no futuro seria lembrado como um dos maiores líderes evangélicos do século. Na noite de 18 de outubro de 1958, o pastor José Rego do Nascimento, da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte (MG), voltava de um culto no Seminário Batista do Sul do Brasil, no Rio - um dos mais antigos e respeitados da denominação -, quando foi abordado por um grupo de alunos. Convidado a participar de uma vigília de oração promovida pelo grêmio estudantil, Rego, embora estivesse exausto, aceitou. O que aconteceu naquela noite delineou a história do ramo batista pentecostal no país. Rego e os seminaristas que participaram da reunião foram batizados com o Espírito Santo - uma experiência que até então só conheciam de ler no Novo Testamento, caracterizada pelo exercício de dons espirituais. José Rego do Nascimento relatou os acontecimento a seu colega e também pastor batista Enéas Tognini, que logo aderiu ao avivamento e tornou-se ícone do movimento pentecostal que acabou dividindo a denominação. Em 1967, Tognini fundou a CBN (Convenção Batista Nacional), reunindo 60 igrejas. Hoje, a CBN é presidida pelo pastor Daniel Leite, de Betim (MG) e tem aproximadamente 1,2 mil igrejas, todas independentes, mas vinculadas pela teologia pentecostal. Além das duas grandes convenções, existem ainda a Igreja Batista Regular, a Igreja Batista Independente, a Igreja Batista Bíblica e a Igreja Batista Fundamental, que embora expressem interpretações bíblicas diversas, têm como elo fundamental a soberania das decisões tomadas pelo povo. Nas igrejas batistas, tudo é decidido pelos membros: desde a escolha do pastor até o orçamento da comunidade. Até mesmo o nome de sociedades internas como corais e grupos de jovens passam pelo voto. A tradição democrática é até hoje um dos maiores orgulhos dos batistas.
Estrutura da Igreja Batista Nacional
Convenção Batista Nacional (CBN)
Sede: São Paulo
Fundação: 1967
Presidente: Daniel Leite
Fiéis: 200 mil
Pastores: 1,4 mil
Templos: 1.100 igrejas e 2 mil congregações
Distribuição: A maior parte das igrejas está situada no Sudeste, notadamente no Estado de Minas Gerais. Existem também trabalhos missionários no México, Albânia, Espanha, Paraguai e Chile.
Atividades da denominação: Além de 18 seminários teológicos, a CBN possui escolas, abrigos de menores, clínicas médicas e outras obras assistenciais. Nas grandes cidades, os fiéis da denominação destacam-se pela atuação em missões urbanas, como evangelismo ostensivo e distribuição de donativos. Além das atividades nos templos, as comunidades ligadas à CBN promovem cultos ao ar livre, concentrações, eventos musicais e reuniões informais nas casas dos membros. Algumas igrejas caracterizam-se por cultos carismáticos, onde a ênfase é dada aos dons espirituais como curas divinas e profecias. As igrejas da CBN utilizam os meios de comunicação na divulgação de sua mensagem.
por Marcelo Dutra
Questionamentos sobre os Batistas:
Têm os batistas convicções em comum com outros cristãos?
Sim, os batistas têm muitas convicções em comum com outros cristãos: acreditam em Deus como Criador de todas as coisas e como Pai celestial que chama a sí todos os homens.
Os batistas crêem em Jesus Cristo, como Filho de Deus encarnado e como Salvador de todos aqueles que nÊle têm fé.
Eles crêem no Espírito Santo como guia sempre presente, que proporciona o conhecimento cristão da vontade de Deus e o poder para seguir a Cristo na vida diária.
Eles crêem que a igreja é constituída do povo de Deus que rende culto ao Onipotente, que dá testemunho do seu amor e serve aos seus semelhantes em nome de Cristo.
Os batistas crêem na inspiração e autoridade da Bíblia.
Por que os batistas formam à parte uma família de cristãos?
A resposta está no seguinte conjunto de convicções mantidas pelos batistas:
Os batistas crêm que Jesus Cristo é o Senhor e tem plena autoridade nos céus e na terra.
Os batistas crêem que toda pessoa deve reconciliar-se com Deus mediante o arrependimento de seus pecados e a fé pessoal no Senhor Jesus Cristo.
Os batistas crêem que o batismo segue a profissão de fé em Cristo, e introduz o crente na igreja.
Os batistas crêm que Deus dotou cada homem de dignidade pessoal e liberdade de escolha, e que toda criatura humana deve fazer suas próprias decisões acerca de sua fé.
Os batistas crêem que todo cristão tem responsabilidade de dar testemunho de Cristo, fazendo-o por palavras e ações.
Qual o conceito dos batistas sobre a autoridade do Senhor Jesus Cristo?
Os batistas crêem que a mais alta lealdade dos crentes é devida a Jesus Cristo e não a credos, tradições ou instituições religiosas. A suave vontade do Senhor Jesus Cristo está intrinsecamente ligada a todo cristão.
A autoridade de Jesus Cristo também significa que Êle é Senhor da igreja.
Nenhum ministro,sacerdote, bispo ou papa tem o direito de exercer a autoridade como se fosse o próprio Cristo (Mateus 28:18). Todo homem tem acesso direto a Deus e o direito de responder por si mesmo, e de alegrar-se com a presença do Senhor no culto e no serviço.
A autoridade de Cristo abrange também os valores morais. Êle satisfaz as mais profundas necessidades de cada homem e acende as mais elevadas aspirações nos seus seguidores. A experiência humana em todos os tempos confirma a verdade dos ensinos do Senhor Jesus Cristo. Paz, justiça e compreensão só se tornam realidade quando Jesus domina.
Qual o conceito de fé pessoal?
Há muitos conceitos de fé. Alguns a consideram como um credo ou um conjunto de preceitos a que devemos obedecer. Outros vêem nela algo em que temos que acreditar, a despeito da razão. Os batistas, porém, crêem que a fé equivale à confiança e ao compromisso individuais. A fé constitui valor espiritual que consideramos acima de nós mesmos.
Existe algo terrivelmente errado no homem. A Bíblia revela que todos os homens pecaram (Aos Romanos 3:23). Nosso mundo não se tornará melhor enquanto o homem não for mudado por dentro. Essa transformação somente será possível pela graça de Deus através da fé em Jesus Cristo (Aos Efésios 3:8).
A Bíblia também nos diz que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nÊle crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16). Uma vida nova é oferecida a todos, pois Deus enviou "seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa... a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós" (Aos Romanos 8:3,4).
Jesus Cristo é Senhor e Salvador. Sua autoridade é exercida com misericórdia.
A fé e a submissão a Cristo devem ser pessoais. Não é possível ter fé por procuração. O homem não nasce com sua fé, nem esta pode ser-lhe proporcionada por outro. Um ser humano pode ter nascido no seio de uma família cristã, ou num país considerado cristão, mas isso não o faz cristão. Uma pessoa somente é cristã por sua fé pessoal e submissão pessoal ao Senhor Jesus Cristo.
Por que os batistas praticam o batismo só de crentes?
Os batistas crêem que a fé surge antes do batismo, e não o batismo antes da fé. Não há regeneração ou salvação no ato do batismo propriamente dito. O batismo é um ato simbólico significando a passagem do crente da vida anterior cheia de pecados para uma vida nova (Aos Romanos 6:4).
A simbolização do sepultamento da vida passada e a ressurreição para uma vida nova vê-se melhor na imersão, que os batistas crêem ser a forma bíblica do batismo. Os batistas não batizam crianças que ainda não estejam em condições de sentir a fé salvadora pessoal.
Qual o conceito Batista sobre a igreja?
Os batistas crêem que a autoridade de Cristo está diretamente relacionada com a igreja. Deus "pôs todas as coisas debaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo" (Aos Efésios 1:22,23).
A igreja total é o corpo de Cristo, compreendendo todos aqueles que consideram a Jesus Cristo como seu Senhor.
Os batistas também crêem que a igreja aparece visivelmente nas congregações locais onde os seguidores de Cristo louvam a Deus em conjunto, propagam o evangelho, ensinam as verdades cristãs e procuram incrementar a santidade de vida e o uso cristão dos bens entre seus membros.
Uma igreja local é uma associação de cristãos que irradiam testemunho e serviço pela comunidade e, em cooperação voluntária com outras igrejas, pela Humanidade inteira. É organizada conforme o princípio de que todos os membros são iguais em direitos e deveres. A igreja é de estrutura congregacional e utiliza o processo democrático para as decisões de assuntos administrativos, considerando o Espírito Santo como guia sempre presente, que lhe capacita para levar avante a missão de Cristo. (Atos 1:8).
Como observam os batistas a Ceia do Senhor?
Para os Batista a ordenança da Ceia do Senhor é um ato simbólico em memória da morte do Senhor Jesus Cristo, ato esse de que participam todos os crentes. A observância da ceia é ocasião de auto-exame, reavivamento e ações de graças dos membros da igreja. Os batistas não crêem que o pão e o vinho sejam literalmente transformados no corpo e sangue de Cristo. Mas a cerimônia focaliza unicamente a presença transformadora do divino Mestre em Espírito.
Como as igrejas batistas trabalham em conjunto?
Os batistas crêem que a igreja local deve ser livre para fazer aquilo que considera o melhor sob a orientação do Espírito Santo, com o propósito de cumprir a comissão de Cristo. Cultivando a maior camaradagem entre os crentes e desenvolvendo programas além de suas possibilidades locais, a igreja é livre para associar-se com outras de objetivos semelhantes.
Os batistas se reúnem, portanto, em associações, conferências, convenções e uniões nacionais, culminando na Aliança Batista Mundial. Mas a igreja local permanece sempre soberana.
Se bem que tenham suas convicções e conceitos básicos em comum, os batistas não sustêm os mesmos pontos de vista e opiniões em cada localidade. O extraordinário, entretanto, não são as divergências de práticas, mas o grau de coesão alcançado através da colaboração voluntária.
Como começou o Movimento Batista?
Os batistas não reconhecem um líder como "fundador" do Movimento Batista. Igrejas do tipo batista surgiram às vezes expontâneamente mediante estudo da Bíblia. No século dezesseis, as igrejas anabatistas surgiram paralelamente aos movimentos de reforma da Europa Central. No século dezessete as igrejas batistas foram instituídas com vínculos no movimento puritano da Inglaterra.
A perseguição sobreveio a esses crentes de fé não conformista em regiões onde era limitada ou negada a liberdade de consciência, e também quando a igreja oficial e o Estado prescreviam a crença a ser obedecida.
O Movimento Anabatista na Europa Continental foi cruelmente esmagado pelas igrejas oficiais. Os "separatistas" ou não conformistas da igreja da Inglaterra foram forçados a fugir ou a esconder-se.
Um desses grupos migrou da Inglaterra para Amsterdam (Holanda) sob a liderança de John Smith. Em 1609, eles organizaram uma nova igreja nessa cidade, onde a condição de membro se baseava na profissão de fé pessoal, voluntária, precedendo ao batismo. Dois anos mais tarde, alguns desses membros da nova igreja, dirigidos por Thomas Helwys, retornaram à Inglaterra e lá tomaram parte no crescente Movimento Batista, que, através de migrações, se espraiou pela América.
O grande movimento missionário iniciado com Willian Carey, da Inglaterra, em 1792, disseminou convicções batistas até ao Extremo Oriente, e, mais tarde, por quase todo o mundo. Em alguns países, como a Rússia em 1867, o Movimento Batista começou espontâneamente com pessoas que formaram suas convicções iluminadas pela leitura do Novo Testamento.
Por que estão os batistas empenhados em Evangelização e em Missões?
Os batistas crêem que a missão de testemunhar (Atos 1:8) e de conquistar novos discípulos (Mateus 28:19,20) é dever de cada crente. Todo cristão é uma testemunha. Sua vida e palavras revelam aos outros sua fidelidade a Cristo. O sal deve salgar, se é sal, e a luz terá que brilhar se é luz (Mateus 5:13,14). Os batistas procuram dar testemunho de Cristo em todas as nações do mundo. Têm grande empenho em tornar a Bíblia acessível ao povo, em sua própria língua. Seu esforço missionário inclui auxílios para saúde e educação, ajuda aos que sentem fome, aos que estão sem agasalho e sem lar.
Eles crêem que todas essas obras devem ser feitas em nome de Cristo, e não apenas como um esforço humanístico, alheio ao Mestre (João 15:5). Os batistas crêem que a pregação do evangelho deve ser irmã gêmea do serviço aos nossos semelhantes, pois Cristo devotou seu ministério terreno aos pobres, aos oprimidos e aos que sofriam (Lucas 4:8-21). O julgamento final de Cristo será baseado em nossa compaixão para com os outros, compaixão esta que exprime a nossa fé (Mateus 25:31-46).
Por que estão os batistas interessados na liberdade religiosa?
Deus criou o homem à sua própria imagem e o dotou do inalienável direito à liberdade.
A lei moral de Deus requer que o homem seja livre para que possa tornar-se responsável.
Os batistas crêem que todos os homens devem ser livres para seguir sua consciência em matéria de religião, e que a autoridade civil ou política não tem o direito de traçar normas para a vida religiosa dos cidadãos. Esta liberdade é mais que tolerância, porque a simples tolerância leva a cogitar sobre quem é que tem o direito de tolerar a outrem.
Os batistas não buscam essa liberdade só para si. Eles lutam por esse direito para todos os homens. Cada pessoa deve ter o privilégio de professar e propagar sua fé ou descrença, fazendo-o a seu próprio modo, contanto que não interfira na ordem ou segurança pública, ou ainda nos direitos dos outros.
Vivem os batistas conforme suas convicções?
Os batistas têm vivido, até certo ponto, conforme suas próprias convicções, mas em certas ocasiões eles o fizeram de maneira heróica, chegando até ao martírio.Pelas falhas, porventura havidas, devem arrepender-se e continuar com novas energias a sua missão.
O filósofo dinamarquês Sorem Kierkegaard disse: "O cristianismo começa declarando o que o cristão deve ser, e não louvando-o pelo que ele é." E em outra oportinudade o mesmo filósofo escreveu: "Na graça há sempre perdão para o passado, mas nunca liberdade para deixar de lutar."
Cristo, a única Esperança!
Em acréscimo ao que foi dito em resposta à perguntas - "Quem são os batistas?", mais uma particularidade deve ser lembrada. Os batistas são um povo que abriga uma Esperança. Eles crêem que Jesus Cristo é o Filho de Deus. os batistas estão convictos de que não há outro nome além de Jesus Cristo, pelo qual devemos ser salvos (Atos 4:12). Eles crêem na vitória final do Senhor Ressuscitado (Mateus 25:31; I Aos Coríntios 15:24,25; II Pedro 3:13; Apocalipse 11:15).
Texto extraído de publicação da Junta de Educação Religiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira, pela Casa Publicadora Batista, em 1970.
|
|
|
 |
|
| |
|
|
|