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Extra! Extra! Púlpitos das Igrejas Leiloados! EXTRA EXTRA!!! EXTRA Igreja leiloa Púlpito Fato ou ficção? Quanto vale o voto de sua igreja, pastor? Esquerda! Direita!... Quanto vale a honra sua e de sua igreja? Esquerda! Direita!...
Qual a capa de um político honesto? Ordem! ORDEM!!!! O que a igreja evangélica pode fazer para contribuir com a ética cristã no Brasil? PREGAR A SALVAÇÃO. ORDEM! ORDEM! ORDEM! SALVE-NOS OH DEUS DE NÓS MESMOS DE NOSSA MEDIOCRIDADE
Extra, Extra! Púlpitos Leiloados em Nome de Deus!!! Extra, Extra!! Pastor Evangélico Fecha acordo com candidato... em troca da “santa” oferta de 10 mil reais. Sanguessugas x ambulâncias x pastores evangélicos recebendo propina do superfaturamento = péssimo atendimento médico, mortalidade nos corredores dos hospitais por falta de leitos, remédios e médicos. . Mas ele diz: sou contra o aborto legalizado Patética ética! Tá dominado! Ordem!! Por que em um dos países com maior crescimento de evangélicos no mundo a violência, a corrupção e a miséria também crescem vertiginosamente? Tem um dos maiores índices de prostituição e fome, trabalho infantil. No Brasil é moda ser crente! É chique ser crente! Um barato ser crente! É alienante ser crente?
Candidato em campanha O candidato a deputado chega junto ao pastor de uma igreja com 550 membros, também líder regional de uma denominação de grande expressão. Ao termino do culto o pastor aproxima-se dele. Convida-o ao seu gabinete. O ilustre candidato, sem mais delongas vai direto ao assunto: - pastor eu sei que o senhor está querendo fazer algumas reformas em sua igreja e, sabendo de sua seriedade, estou aqui para lhe ajudar no que for preciso. Pode ser que o senhor alegue que o fato de estarmos muito próximo das eleições pode pegar mal, mas, adianto para o amigo, não tem nada a ver uma coisa com a outra, eu quero que o senhor lembre do meu nome para deputado, como o candidato de Deus para a sua igreja. Eu não compro votos. Quero ajudar a igreja; não sou evangélico, mas gosto muito dos crentes. O pastor constrangido responde: - Claro doutor! O amigo é sério eu sei. Só que tem um probleminha, eu já me comprometi com outro candidato, ele esteve aqui antes de você e, para ajudar na compra das janelas da igreja me deu, ou melhor, doou para a igreja sete mil reais. Infelizmente, não posso acompanhá-lo esse ano. Mas, o perseverante candidato insiste: - Meu pastor, eu não posso perder tão honroso apoio. Olhe eu vou lhe ofertar para as janelas da igreja 20 mil reais, devolva o sete mil reais e fique com o resto. - O pastor eufórico e surpreso respondeu: - Eu sabia que não era de Deus o meu apoio àquele candidato, graças a Deus que me enviou o amigo, isso é resposta de oração. Com certeza eu lhe apoiarei e indicarei para toda igreja votar com você. Doutor o senhor é o candidato de Deus com certeza. Deus escreve certo por linhas tortas... - O resto da história todos nós já sabemos: Olha a manchete proibida: “DEPUTADO PICARETA COMPRA VOTOS DE IGREJAS EVANGÉLICAS E É ELEITO COM LARGA MARGEM DE VOTOS”
O pastor oportunista Um dos presbíteros em reunião pergunta ao pastor qual o candidato que ele vai apoiar nas próximas eleições. O pastor pensativo responde: “calma, calma, eu estou aguardando para saber quem tem mais chance de ganhar... claro que não vamos apoiar perdedores afinal de contas toda a autoridade é constituída por Deus” EXTRA! EXTRA! EXTRA! Boa parte da liderança eclesial evangélica brasileira repete a sociedade corrompida nacional: não ver nada de mais em se desviar verbas da educação – Entenda-se taxa de analfabetismo altíssima Subornar guardas de transito, dar propina ao funcionário público... “Enquanto os homens exercem seus podres poderes motos e fuscas avançam os sinais vermelhos, impedem os verdes somos uns boçais” (Caetano Veloso). Oremos contra isso. Pela consolidação do Reino nas igrejas evangélicas.
Pedro Luis Da Silva Itaporanga - PB
A missão da igreja frente à homossexualidade
1. Nossa missão é não esconder nem omitir nem torcer as Escrituras que condenam efetivamente a prática homossexual.
2. Nossa missão é fazer clara distinção entre a tendência homossexual e a prática homossexual, tal qual fazemos entre a propensão ao adultério e o adultério em si.
3. Nossa missão é oferecer enérgica resistência aos radicais que pretendem fazer descer fogo dos céus para consumir os homossexuais.
4. Nossa missão é mostrar que ninguém tem autoridade moral suficiente para discriminar os homossexuais, porque todos somos igualmente pecadores.
5. Nossa missão é desmentir a chamada hierarquia de pecados, segundo a qual a prática homossexual é a mais abominável conduta humana. Paulo coloca a homossexualidade (passiva e ativa) no mesmo patamar do adultério, da idolatria, da apropriação indébita, da avareza, do alcoolismo, da calúnia e da trapaça (1 Co 6.9,10).
6. Nossa missão é dar e alimentar a esperança de uma nova vida em Cristo: “Se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas” (2 Co 5.17, NVI). Graças a essa experiência de natureza espiritual, provocada pela admissão da culpa, pelo arrependimento e pela fé nos méritos salvadores de Jesus Cristo, o efeminado, o sodomita, o adúltero, o alcoólatra e o trapaceiro podem ser chamados de ex-efeminado, ex-sodomita, ex-adúltero, ex-alcoólatra e ex-trapaceiro, como aconteceu em Corinto, na Grécia.
7. Nossa missão é anunciar o evangelho da graça de Deus, que inclui a salvação toda: da “culpa” do pecado (justificação), do “poder” do pecado (santificação) e da “presença” do pecado (glorificação).
8. Nossa missão é afirmar à sociedade que o ser humano, homossexual ou não, é mais do que sua sexualidade, e, portanto, cabe chamar todos à redenção integral anunciada por Jesus, incluindo aí a conversão da sexualidade.
A Bíblia não é um "closet vazio" a respeito da homossexualidade
Existe uma insistente troca de acusações de manipulação da Bíblia entre os apologistas da homossexualidade e os apologistas da heterossexualidade.
Em artigo publicado na revista lésbica brasileira “Um Outro Olhar” (dez. 2002–fev. 2003, p. 24), a escritora Stella C. Ferraz, autora de romances lésbicos, que participou de um curso sobre a Bíblia e a homossexualidade numa igreja “de orientação anglicana” em Nova York, em maio de 2002, afirma que “a Bíblia é um “closet” vazio, não há nada de específico sobre homossexualidade, nada nos diz sobre ela, tal como é entendido hoje”. Stella Ferraz está equivocada, tem sido mal assessorada.
Não há como negar: os homossexuais e seus defensores têm cometido uma tremenda injustiça contra alguns personagens bíblicos. A relação das pessoas atingidas é cada vez maior. Eles mancham o nome e o caráter de alguns dos mais notáveis vultos da história bíblica, ora com maliciosas sugestões ora com declarações absurdas. Dizem que formam pares de homossexuais: José e Potifar, Rute e Noemi, Davi e Jônatas, o centurião e o seu servo que estava quase à morte (Lc 7.1-3), Paulo e Timóteo. Dizem irresponsavelmente que o espinho na carne de Paulo era a sua tendência homossexual. A mais irreverente de todas as intrigas, deixamos de citar em respeito à pessoa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Ora, qualquer pessoa que conhece seriamente a Bíblia é obrigada a interpretar essas falsas insinuações como um feio artifício de defesa própria.
Mas é bom admitir que, às vezes, os cristãos, em seu ardor de defender a ortodoxia, estão também sujeitos a cair na tentação de usar a Palavra de Deus a torto e a direito. Na análise da destruição de Sodoma e Gomorra, a passagem esclarecedora de Ezequiel permaneceu oculta por muito tempo entre os evangélicos: “Este foi o pecado de sua irmã Sodoma: ela e suas filhas eram arrogantes, tinham fartura de comida e viviam despreocupadas; não ajudavam os pobres e os necessitados” (Ez 16.49, NVI). À luz dessa informação, o pecado de Sodoma e Gomorra não foi apenas de ordem sexual, mas também de ordem social. Aos homossexuais é preciso dizer a mesma coisa na ordem inversa: o pecado de Sodoma e Gomorra não foi apenas de ordem social, mas também de ordem sexual.
Os homossexuais fazem uma tremenda resistência a um dos motivos da destruição de Sodoma e Gomorra. A própria escritora Stella Ferraz foge do que está registrado e diz que o atentado dos homens de Sodoma “tem a ver com estupro coletivo, humilhação e violência e não com homossexualidade”. Mas a Bíblia é taxativa: a multidão de homens tresloucados, “dos mais jovens aos mais velhos”, cercou a casa de Ló e exigiu dele: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles” (Gn 19.4,5). Corrobora essa versão a pequena Epístola de Judas: “Sodoma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade e a relações sexuais antinaturais” (Jd 7, NVI). Outras versões dizem que os sodomitas se entregaram “a vícios contra a natureza”. Afinal, o que é sodomia, sodômico, sodomita, sodomítica e sodomizar? Basta abrir o Aurélio: sodomia é a junção da palavra “Sodoma” com “ia” e quer dizer: “conjunção sexual anal, entre homem e mulher, ou entre homossexuais masculinos”.
Os apologistas de ambas as correntes são culpados de não misturar a “dura lex” com a “sola gratia”. Os homossexuais fazem questão de salientar a “sola gratia”: “a Bíblia”, lembra a já citada Stella Ferraz, “tem muito a dizer sobre a graça de Deus, sua justiça e misericórdia”. Alguns evangélicos fazem questão de salientar a “dura lex”: todos os homossexuais serão jogados no inferno e “serão atormentados dia e noite para todo o sempre” (Ap 20.10).
Gay sem y
Existe gay com y e gay sem y. A primeira é uma palavra inglesa que tanto pode significar o indivíduo alegre, divertido, jovial, vistoso, prazenteiro, como o indivíduo lascivo, dissoluto, imoral, atrevido (“Novo Michaelis”). Tornou-se o vocábulo mais usado para designar a pessoa homossexual no mundo moderno. O Aurélio prefere a grafia aportuguesada “guei”, que ninguém usa.
“Gay” sem y é GA e deve ser lido não como sílaba, mas cada letra de uma vez. GA é a sigla de Grupo de Amigos, um ministério evangélico, sem cor denominacional, fundado há 15 anos, com o objetivo de aconselhar pessoas que vivem em conflitos homossexuais e também orientar os familiares que desejam obter apoio e capacidade para lidar corretamente com a questão.
Desde o início, o GA tem contado com a liderança de Carlos Henrique Bertilac Silva, que viveu a homossexualidade, mas foi transformado pelo poder regenerador do evangelho em 1982 — o mesmo poder que mudou a orientação sexual de alguns gregos que viviam em Corinto, “das cidades gregas a menos grega e das colônias romanas a menos romana”, tristemente famosa por sua licenciosidade.
O GA atende pessoas de qualquer sexo, credo e condição social que expressam o desejo de mudança e buscam respostas para seus questionamentos. O trabalho do GA é realizado por ex-homossexuais e heterossexuais vocacionados e devidamente capacitados para este ministério.
Uma das pessoas que está caminhando para recuperar a sua identidade sexual com a ajuda do GA dá o seguinte testemunho:
Na minha adolescência descobri que tinha desejos pelo mesmo sexo. A partir de então, os conflitos começaram de maneira angustiante. Apesar da minha criação evangélica e do meu amor a Deus, não conseguia ter controle sobre meus pensamentos e conflitos. Um dia, aos 20 anos, ouvi falar do GA e busquei ajuda. Então quebrei a barreira da desconfiança, saí do isolamento mórbido e atrofiante e me vi diante de alguém contando o meu ‘grande segredo’. A partir daí aprendi uma porção de coisas. Vi que eu não era o pior pecador do mundo, pois a homossexualidade é um pecado igual aos outros e que ‘o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado’ (1 Jo 1.7). Aprendi que a homossexualidade é conseqüência de diversos fatores mal resolvidos no passado e que perdão é a palavra-chave de todo o processo. Aprendi também que a restauração é obra de Deus — a matriz da nossa imagem (identidade) e semelhança (caráter).
Outro ministério de auxílio aos homossexuais não satisfeitos e desejosos de mudança é o Movimento pela Sexualidade Sadia, mais conhecido pela sigla MOSES. Entendendo que o homossexualismo — assim como a idolatria, o furto, a avareza, a calúnia, a trapaça, o alcoolismo, o adultério e outros deslizes — vai contra os planos de Deus para o ser humano, de acordo com as Escrituras Sagradas, o MOSES pretende ser uma voz de conscientização em favor dos valores da família heterossexual e monogâmica e dos padrões bíblicos na área da sexualidade. Nasceu do ideal de levar o evangelho de Jesus, “que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16), a pessoas com problemas de homossexualidade e outros desvios e perversões sexuais, tais como pedofilia, abuso sexual, pornografia, prostituição infantil, aborto, bestialidade e assim por diante.
À frente do MOSES está João Luiz Santolin, que se libertou da sua velha vida de experiências com o homossexualismo em março de 1983, um ano depois da conversão de Carlos Henrique Bertilac da Silva, do GA. “A melhor coisa que fiz”, conta Santolin, “foi me render ao irresistível amor de Jesus Cristo e entregar minha vida a Ele”. A partir deste momento de abertura de alma e de corajosa decisão, “minha mente e emoções foram sendo curadas gradativamente”, acrescenta. Como muitos outros, o rapaz havia sido despertado para o homossexualismo antes da puberdade por dois homens que se valeram da carência paterna — o pai de Santolin estava sempre bêbado.
Além do GA, do MOSES e de outros ministérios, destaca-se também o “Exodus Brasil”, que faz parte de uma organização interdenominacional destinada a unificar e equipar cristãos para ministrar o poder transformador de Jesus Cristo àqueles que de algum modo estão envolvidos na homossexualidade. O atual diretor regional é Willy Torresin de Oliveira.
Não sou melhor do que os que lutam contra a homossexualidade
Todos os artigos sem assinatura sobre o tema de capa desta edição foram escritos por mim, com oração e temor do Senhor. Meu nome não aparece porque a autoria deles está implícita no expediente.
Redijo esta nota suplementar porque desejo que todos os leitores saibam que eu carrego dentro de mim um potencial pecaminoso igual ao de todas as outras pessoas. Pelo fato de ser heterossexual não sou melhor que os homossexuais. Também não estou isento de tentações na área sexual. O que eu tenho deixado bem claro em conversas com homossexuais ou em palestras sobre a homossexualidade é que a conduta que Deus exige do homossexual é a mesma que Ele exige do heterossexual e vice-versa. Ambos têm desejos que, à luz da Bíblia, não devem ser satisfeitos. O compromisso cristão assumido voluntária e conscientemente obriga o heterossexual a negar-se a si mesmo quando os desejos em direção contrária se manifestam. Se ele é solteiro, viúvo ou separado, obriga-se a não ter nenhuma relação sexual. Se é casado, obriga-se a ser fiel ao cônjuge. O mesmo padrão de comportamento obriga o que vive experiências homossexuais a superar a homossexualidade, a praticar a castidade, a fazer-se eunuco “por causa do reino dos céus” (Mt 19.12).
Declaro também que eu consigo me opor abertamente ao comportamento homossexual sem deixar de amar gays e lésbicas. No passado remoto, talvez não fosse assim, mas hoje é.
O homem e a mulher, o jovem e o adulto, o hetero e o homossexual, o solteiro e o casado, o pastor protestante e o padre católico, nós que assinamos os artigos desta edição e nossos queridos leitores — só conseguiremos esse nível de comportamento pela graça de Deus, pelo exemplo de Jesus e pelo poder do Espírito Santo!
Um dos mais nítidos traços da modernidade é a valorização da ciência, mesmo sabendo-se que sua palavra não é definitiva e que ela tem sido manipulada com freqüência. A psiquiatria, com seus 200 e poucos anos de reconhecimento, já passou por vicissitudes. Há aqueles que apontam, já no seu nascedouro, uma tendência para o exercício do controle social. Machado de Assis, no seu conhecido conto “O Alienista”, ilustrou com ironia os riscos que lhe são inerentes, ao descrever as peripécias do personagem Dr. Simão Bacamarte, que, num momento, trancafiou quase toda a população e, noutro, se arvorou em avalista da normalidade de inúmeras sandices.1
Vejo que corremos tais riscos ao nos perguntarmos o que a psiquiatria tem a dizer sobre a experiência de pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo. Se a chamada psiquiatria democrática já nos aponta a superação de um período repressor, é de se reconhecer que ela continua ávida por respeitabilidade, esforçando-se por parecer sempre “politicamente correta”. Assim, torna-se interessante entender o que se dá com as suas tão comentadas listas que podem ser usadas, conforme o que se pretende, para incluir ou excluir qualquer um de nós.
A “Classificação Internacional de Doenças”, 10ª edição (CID-10), publicada pela Organização Mundial da Saúde em 1992, excluiu a homossexualidade, como tal, da sua relação de transtornos de comportamento. Ali encontramos listados os transtornos de identidade sexual e os transtornos de preferência sexual, nos moldes da classificação anterior (CID-9). Há, na verdade, um agrupamento dos denominados transtornos psicológicos e de comportamento associados ao desenvolvimento e à orientação sexuais; e ainda um código para aconselhamento relacionado à atitude, comportamento e orientação sexual.2 Faz-se necessário explicar melhor:
— Identidade sexual diz respeito ao senso íntimo que leva alguém se identificar como do sexo masculino ou do feminino, moldando emoções e comportamentos. Os transtornos de identidade sexual dizem respeito a condições em que existe “um desejo de viver e ser aceito como membro do sexo oposto, usualmente acompanhado por uma sensação de desconforto ou impropriedade de seu próprio sexo anatômico”.3 A referência principal são os casos de transexualismo, em que há um desejo profundo de mudança do sexo biológico, levando, nalgumas vezes, às cirurgias para alteração dos genitais. Aqui estariam também certos casos de transvestismo (assim a palavra está grafada no CID-10).
— Transtornos de preferência sexual remetem a condições nas quais os desejos sexuais são dirigidos para substitutos considerados inadequados. Incluem casos de erotização de objetos (fetichismo), de exposição dos genitais (exibicionismo), de focalização erótica da intimidade de outrem (voyeurismo), além de sadomasoquismo, pedofilia e outros.
Nenhuma dessas situações referem-se, em princípio, à homossexualidade, que diz respeito à orientação sexual, isto é, ao direcionamento do desejo e do comportamento sexual para pessoas do mesmo sexo. Em relação a esse caso, encontramos listados o transtorno de maturação sexual e o transtorno de orientação sexual egodistônica, nos quais a identidade sexual não está em dúvida, isto é, a pessoa reconhece-se como sendo do próprio sexo biológico. O possível mal-estar fica no âmbito da orientação sexual que pode ser homossexual, heterossexual ou bissexual; e que, no caso, passa a ser fonte de conflito e determina a busca de sua superação ou ajustamento.
É preciso reconhecer que a mudança efetuada na listagem oferecida pela Organização Mundial da Saúde foi precedida e fortemente influenciada pelo que acontecera anos antes, no âmbito da Associação Psiquiátrica Americana. Essa entidade patrocinou o que denominou Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM), em sucessivas edições, onde foram progressivamente assimiladas as tendências da sociedade liberal e as pressões de grupos organizados. Assim, decidindo sempre por votos majoritários em assembléias, restringiu-se sistematicamente as menções à homossexualidade.
Aqui cabem algumas considerações. A primeira delas é que, no seu estágio atual, a psiquiatria assume uma postura humilde e reconhece as limitações dos conhecimentos sobre a maior parte das condições clínicas, especialmente aquelas relacionadas ao comportamento. Assim, aboliu-se o termo “doença”, pois ele remete a um entendimento causal que, no momento, ainda é impossível. Portanto, não é só sobre a homossexualidade que não se fala de doença; prefere-se sempre a expressão “transtorno”.
Em segundo lugar, o próprio CID-10, na sua apresentação, nos adverte da pequenez de suas pretensões: “Uma classificação não pode nunca ser perfeita e sempre será possível introduzir melhorias e simplificações no futuro, na medida em que aumente o nosso conhecimento”. E ainda: “As descrições e diretrizes não contêm implicações teóricas e não pretendem ser proposições completas acerca do estágio atual do conhecimento dos transtornos. Elas são simplesmente um conjunto de sintomas e comentários sobre os quais houve uma concordância”.4 Assim, o lugar que a homossexualidade ocupa atualmente em tal classificação é circunstancial e pode mudar a qualquer momento.
Vê-se, portanto, que não é seguro tirar nenhuma conclusão de alcance vital a partir de algo tão movediço. Na verdade, tem-se dado valor exagerado a uma lista de situações, que é definida por voto e despida de qualquer atribuição teórica. Os psiquiatras a utilizam para fins práticos e, mesmo assim, são muito acusados por tal uso. Curioso é, portanto, que os seus habituais críticos se apropriem desse instrumento de trabalho para construir pressupostos e baixar resoluções.
Devemos ter presente que o entendimento da homossexualidade é complexo e exige muito mais esforço do que uma simples troca de etiqueta. As teorias sobre o desenvolvimento humano, tais como a psicanálise, por exemplo, têm mais a dizer. Sigmund Freud, como é sobejamente conhecido, postulou a idéia da bissexualidade constitucional do ser humano, a partir da qual cada um estruturaria sua orientação sexual. Fatores ambientais, tendo em relevo a relação entre a criança, sua mãe e pai, poderiam ensejar embaraços no desenvolvimento pessoal, determinando fixação em estágios pré-genitais.
Como melhor se explica: “Freud pensava especialmente na homossexualidade masculina como representação de um fracasso no desenvolvimento sexual normal, uma falha na adequada separação do menino de sua mãe, mantendo um intenso vínculo sexual com ela. Como resultado, o menino já crescido identificar-se-ia com ela e procuraria fazer seu papel na tentativa de provocar o renascimento da relação que existia entre ambos”. Essa incapacidade de se separar da mãe poderia ser resultante de diversos fatores e sempre estimulada pela introjeção da figura paterna como fraca, ausente ou hostil. Quanto à homossexualidade feminina, “estava definida de forma menos clara na mente de Freud, mas ele pensava nela como uma imagem em espelho do processo que destacou na homossexualidade masculina”. É bom lembrar que, mesmo tendo sido formulada há anos, a teoria freudiana não foi contestada. Pelo contrário: “A observação de Freud e de outros analistas de que alguns homossexuais tendem a lembrar seus pais como hostis ou distantes e suas mães como mais próximas que o comum tem tido confirmações recentes”.5
Outras contribuições convergem na construção de um modelo bio-sócio-cognitivo do desenvolvimento sexual.6 Partindo das pesquisas sobre comportamento animal, verifica-se que, somente quando em cativeiro e em privação de parceiros de outro sexo, ocorrem práticas homossexuais entre mamíferos. Isso leva um destacado autor à seguinte observação: “Devemos tirar sérias considerações da possibilidade de que preferência homossexual exclusiva é um fenômeno unicamente humano”.7
Deve-se enfatizar que não foi possível encontrar evidências conclusivas sobre fatores inatos na determinação do comportamento sexual. Algumas pesquisas entre gêmeos idênticos parecem sugerir um fator genético importante ou, pelo menos, uma predisposição a reagir às influências ambientais de modo semelhante. Entretanto, a coincidência de atração sexual por pessoas do mesmo sexo, em nenhum estudo, ultrapassou a taxa de 50% no caso de homossexualismo masculino e menos ainda em se tratando de mulheres. Isso mostra que outros fatores atuam de forma relevante. É de todo improvável que comportamentos tão complexos como os relacionados à sexualidade possam ser imputados a uma ou outra alteração genética.
Particularidades no sistema nervoso central têm sido buscadas, especialmente em relação ao hipotálamo, uma região do cérebro fortemente envolvida nas vivências afetivas; e também na chamada comissura anterior, uma estrutura que faz conexão entre os dois hemisférios cerebrais. Alguns estudos sugerem semelhanças entre essas regiões no cérebro de homens que experimentam atração por pessoas do mesmo sexo e as encontradas em mulheres. Não se pode afirmar, contudo, se elas estavam presentes no nascimento ou se resultaram do próprio comportamento sexual.
Fatores atuantes durante o desenvolvimento intra-uterino poderiam influenciar no desenvolvimento do cérebro fetal. Além disso, é de se admitir que qualquer interferência neurológica ou hormonal que perturbe o desenvolvimento na infância ou adolescência poderá repercutir nas expressões posteriores da sexualidade. Sabe-se que alterações endócrinas podem repercutir sobre o desenvolvimento físico e psíquico, levando até mesmo a alterações na estrutura e função dos órgãos sexuais e na apresentação dos caracteres sexuais. No entanto, salvo em casos isolados, os achados não são suficientemente consistentes e, mesmo que confirmados em estudos futuros, nunca terão o valor de determinantes sobre o comportamento sexual, mesmo sendo reconhecidos como moduladores das reações emocionais.
Conclusões precipitadas no campo da sexualidade humana podem levar a equívocos e contradições. Na verdade, quando se apega a uma causalidade inata e física da homossexualidade, incorre-se num reducionismo, atribuindo papel definitivo aos aspectos biológicos. De uma opção comportamental, a homossexualidade passa a ser vista como uma imposição biológica, ignorando-se uma característica humana fundamental, que é a capacidade de fazer escolhas, mesmo que dentro de limitações; e o direito de revê-las, quando for o caso. Muitos, imbuídos daquela disposição radical, podem sentir-se totalmente autorizados a assumir tal orientação sexual. Porém, seria bom lembrar que, num futuro próximo, alterações genéticas e constitucionais poderão ser objeto de intervenções, até mesmo por meio da engenharia genética e da medicina fetal.
Vê-se que nada autoriza entendimentos radicais: “É óbvio que o desenvolvimento do gênero é multifatorial, de forma que a etiologia da orientação sexual deve ser também multifatorial”.8 Os componentes inatos, nos casos em que venham a ser identificados, atuariam no máximo como predisponentes ao aprendizado cognitivo, que se desenvolve primariamente no âmbito das relações intrafamiliares. Nos seres humanos não se pode desconhecer que influências ambientais atuam precocemente por meio do relacionamento com os pais e com pessoas significativas. A própria atribuição de gênero, feita ao nascer, pesa na formação da identidade pessoal.
A partir da matriz psíquica que assim se forma, o reforço social passa a exercer o papel de lapidador final. O distanciamento de um grupo de iguais na infância e adolescência parece relevante, pois, quando estimulados por mecanismos grupais os jovens aprendem sobre respostas sexuais específicas, consolidando a identidade própria. Nesse contexto, alguma forma de expressão da sexualidade serve como reforço da auto-estima e conseqüente afirmação comportamental. Por outro lado, insucessos podem ter repercussões negativas. Por fim, a própria atitude da sociedade, quando acentua a dicotomia homo/heterossexual, força uma opção apressada, a partir de então vista como exclusiva, e que é selada pelo preconceito e rotulada como definitiva.
Na verdade, o entendimento da homossexualidade requer uma visão ampla das motivações do comportamento humano, que tem na plasticidade e possibilidade de mudança uma das suas características mais marcantes. Pesquisas têm mostrado que até estruturas do sistema nervoso podem ser alteradas a partir de atitudes pessoais e influências externas, como acontece pela psicoterapia, por exemplo.9 Assim fica melhor resguardada a liberdade, mesmo que relativa, que caracteriza a pessoa que somos, dotados de vontade e responsáveis pelo direcionamento e expressão dos nossos desejos.
Duas conseqüências práticas decorrem desse entendimento alargado. Em primeiro lugar, os pais e educadores têm o direito e o dever de intervir na educação das crianças e adolescentes, oferecendo-lhes condições para o desenvolvimento pleno de suas potencialidades. As dificuldades emocionais e relacionais deverão ser detectadas com presteza e receber atenção precoce, evitando que embaraços e dificuldades se prolonguem e determinem comportamentos embaraçosos.
Em segundo lugar, todas as pessoas têm o direito de ser ade-quadamente informadas das possibilidades de desenvolvimento da própria sexualidade e estimuladas ao compromisso de assumi-la de forma consciente. Se estiverem insatisfeitas e desejarem mudanças, devem ter a vontade respeitada e o acesso garantido às oportunidades e formas de ajuda disponíveis; estudos têm demonstrado que pessoas com atração por outras do mesmo sexo, quando suficientemente motivadas, podem avançar muito na reorien-tação da sua vida sexual.10
Acima de tudo, porém, convém destacar que questões pessoais e íntimas, como são as relacionadas à sexualidade, merecem ser vistas com compreensão e atitude respeitosa. Principalmente na prática da ajuda e assistência, quando se abordam casos específicos, deve prevalecer a acolhida calorosa e a solidariedade incondicional. Com freqüência, há muito sofrimento envolvido na história de vida de cada um, pelo que as manifestações da sexualidade devem ser entendidas como “soluções particulares que cada ser humano tem de dar diante do enigma da própria organização pulsional”.
Notas:
1. ASSIS, M. de. “O alienista”. São Paulo, Ática, 1975. 2. OMS. “Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10”. Trad. Dorgival Caetano. Porto Alegre, Artes Médicas, 1993. 3. Idem. p. 210. 4. Idem. p. IX e 2. 5. KANDEL, E.R. A biologia e o futuro da psicanálise: um novo referencial intelectual. “Rev. Psiquiatr”. RS, 25 (1): jan./abr. 2003, p. 154 e 155. 6. HECKERT, U. Desenvolvimento sexual; modelo bio-sócio-cognitivo. “Inform. Psiq”. 17 (3): 1998, p. 93 a 97. 7. BANCROFT, J. “Human sexuality and its problems”. 2. ed. Edinburgh, Churchill Livingston, 1989. p.177. 8. KANDEL. Op. cit. p. 156. 9. KANDEL. Op. cit. p. 157 e 158. 10. EPSTEIN, R. Editorial. “Psychology Today”, Jan./Feb. 2003, p. 7 e 8; YARHOUSE, M.A.; THROCKMORTON, W. Ethical issues in attempts to ban reorientation therapies. “Psychotherapy”, 39 (1), 2002, p. 66 a 75. 11. CECCARELLI, P.R. Sexualidade e preconceito. “Rev. Lat. Psicopat. Fundam”., 3 (3): p.18 a 37.
Uriel Heckert é doutor em psiquiatria pela Universidade de São Paulo e professor da mesma ciência na Universidade Federal de Juiz de Fora. É presidente do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC).
Os movimentos pró-gay e neonazista
E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Romanos 12.2
O movimento pró-gay (movimento sócio-político-cultural empenhado na transformação do mundo em gay) está mudando os costumes brasileiros. Filmes e novelas já mostram cenas de relações entre casais que “estão” homossexuais, tanto masculinos quanto femininos. Há revistas que exaltam a “beleza” do “tipo gay”. As passeatas gays estão se transformando em festa folclórica brasileira. Como o movimento de defesa das mulheres e de crianças e adolescentes tem trabalhado contra o “marketing” do cenário brasileiro associado às “mulatas rebolantes”, devido ao tráfico e à prostituição, as passeatas gays se transformaram na bola da vez para atrair o turista nacional e internacional. Famílias levam seus filhos para se divertirem às custas da miséria humana, embora os ativistas gays acreditem que as passeatas sejam medidas efetivas para uma melhor aceitação social de sua condição.
O termo “gay” é o adotado pelo movimento pró-gay, que considera discriminatórias e preconceituosas as palavras homossexualidade e, especialmente, homossexualismo. Prefiro usar a palavra homossexualidade, pois designa o estado da pessoa, passível de mudança, e não homossexualismo, porque o sufixo “ismo” sugere doença.1 Os termos atuais mais utilizados para falar sobre a homossexualidade são “comportamento homossexual” (atos) e “orientação sexual” (impulsos, fantasias e desejos homo, hetero e bissexuais).
Pessoas com orientação sexual hetero, em situações específicas de ausência de outras do sexo oposto, tais como prisão, serviço militar e outras, eventualmente, podem praticar relação sexual com as do mesmo sexo. Em função dessas experiências, algumas podem desenvolver a orientação bissexual. Assim como a bissexualidade poderá ser desenvolvida a partir de relações homossexuais na idade adulta, a homossexualidade poderá ser aprendida e desenvolvida ao longo da vida.
É mais fácil mudar o “comportamento” homossexual do que a “orientação” homossexual. É possível tanto deixar de namorar homo e de freqüentar “points” gays como namorar e casar com alguém do sexo oposto. Podemos dizer que a orientação é mais “visceral”, conforme compartilhou uma pessoa que vivencia a homossexualidade. Mas a mudança da orientação homossexual também é possível, embora possa levar mais tempo que a mudança do comportamento.
Quando alguém abandona a homossexualidade, a mídia divulga que a pessoa sofreu lavagem cerebral, que foi obrigada pela igreja, família e sociedade. Ela sofre discriminações e é estimulada a se rebelar contra o seu próprio sistema de crenças e valores. Se a pessoa é “corajosa” e apresenta publicamente o seu depoimento de mudança, a tendência é levantar suspeitas sobre a autenticidade da mudança. Por isso é necessário ampliar o nosso entendimento, observando o contexto em que vivemos.
Contexto brasileiro
Vivemos num mundo em que nos deparamos, por um lado, com o movimento dos ativistas gays e, por outro, com o movimento dos neonazistas. Ambos influenciam a sociedade.
Os ativistas gays propagandeiam as maravilhas da vida gay. Conquistaram a mídia e usam o mundo acadêmico (parte das “Ações Afirmativas das minorias sociais para a garantia dos Direitos Humanos”) para realizarem o projeto de “homossexualização da sociedade”. Os neonazistas atuam de forma a limpar, purificar e higienizar. Prontos para exterminar da face da terra os que vivenciam a homossexualidade, é possível que sejam os responsáveis por diversos assassinatos de gays.
No passado, os neonazistas estiveram mais fortalecidos. Serão “exterminados” pelo movimento pró-gay? Não. Tanto as idéias neonazistas quanto as pró-gays continuam vivas no contexto social, atravessam os diversos contextos grupais e individuais e se influenciam mutuamente. De que maneira podemos identificar essas manifestações?
Dentro dos grupos pró-gays, quando alguém se mostra insatisfeito com a homossexualidade, há uma constante pressão para que se mantenha fiel ao movimento gay. Há grupos de mútua ajuda para as pessoas se fortalecerem e vencerem as pressões sociais e familiares, e aceitarem a homossexualidade como algo que faz parte da sua natureza. Existem trabalhos apoiados até mesmo pelo Ministério da Saúde para que as pessoas “saiam do armário” — assumam a homossexualidade. Os gays que não concordam com o trabalho e a filosofia do movimento pró-gay são considerados traidores. O movimento construiu a idéia de que aqueles que vivenciam a homossexualidade nasceram assim e não vão mudar. A estratégia é fundamentar conceitos de forma que o maior número possível de pessoas que “estão” homossexuais acreditem que “são” homossexuais.
Notícias sobre os neonazistas são veiculadas nos meios de comunicação. Gangues de jovens aterrorizam pessoas que vivenciam a homossexualidade, especialmente nas grandes cidades brasileiras. O Disque-Defesa, idealizado pelos ativistas gays, recebe diariamente diversas denúncias de agressão física e verbal. As ações violentas dos neonazistas são mostradas de forma bem ampliada pela imprensa para justificar a necessidade que o movimento gay tem de direitos especiais.
Sócrates Nolasco2 realiza estudos sobre a violência masculina em sociedades contemporâneas ocidentais e faz um alerta quanto ao sistema sócio-político-cultural que vem sendo construído, em que o homem (macho e heterossexual) é apresentado como um ser violento, representante do próprio mal. Pautado em diversos autores, entre eles o francês Jean Baudrillard (considerado um dos mais provocativos pensadores da contemporaneidade), declara que o homem heterossexual está sendo enfraquecido — o que, de fato, já constatamos. Nolasco aponta como possíveis responsáveis por detonar o homem neste momento da história mundial os grupos feministas e o movimento ativista gay: “O homem heterossexual, considerado herdeiro direto do sistema patriarcal, foi colocado como inimigo do propósito de liberação sexual representado pelo movimento de mulheres e gays”3 Também nos alerta para o perigo de a humanidade ser destruída, pois, se o homem heterossexual for destruído, toda a humanidade também o será, uma vez que a destruição do outro sempre gera a sua própria.
Contexto evangélico
O preconceito não se restringe aos neonazistas. A igreja também o evidencia quando convive com pessoas que vivenciam a homossexualidade e não abre espaço para que possam falar sobre os seus conflitos — o que pode gerar a “morte” para essas pessoas. Nega-se a realidade de que nas igrejas existem pessoas precisando de libertação da homossexualidade.
A discriminação é patente também nas pregações, nas quais todos os que apresentam fantasias e desejos homossexuais ou vivem vida dupla são condenados ao fogo do inferno.
Outra forma é quando se evita o contato com as pessoas que vivenciam a homossexualidade, com medo de “contaminação”. Os homens têm medo de conviver com aqueles que estão sob suspeita de vivência homossexual ou que apresentam trejeitos homossexuais. Afinal, se forem amigos dessas pessoas, o que vão pensar a seu respeito?
Além disso, ocorre a exclusão de membros, quando a sua homossexualidade se torna pública. Sem qualquer preocupação em ajudar essas pessoas, elas simplesmente são colocadas para fora, a fim de limpar o espaço, como se dentro das igrejas não houvesse outros pecadores que persistem em seus pecados, como a injustiça, a idolatria e outros tantos.
Por outro lado, a igreja também sofre influência do pensamento ativista gay. Isso acontece quando ela declara que todo pecado é passível de perdão, mas, na prática, não acredita que o pecado da homossexualidade possa ser abandonado e perdoado. É como se as Escrituras não se aplicassem a esse tipo de pecador.
A influência pró-gay na igreja geralmente é sutil, velada. A forma declarada ocorre por meio do movimento gay cristão, que reúne os que não acreditam que a homossexualidade pode ser abandonada; muito pelo contrário, procuram respaldo bíblico para ela.
O desejo de ser aceito e amado por Deus, o fato de não ter encontrado espaço na igreja para compartilhar suas angústias, as incertezas de que seria acolhido com afeto se abrisse o seu coração para os irmãos, tudo isso associado ao fato de que, para deixar sua condição homossexual, teria de sofrer com o enfrentamento dos fatos que motivaram sua homossexualidade — é desanimador; se a pessoa não for persistente, ela desiste de lutar contra a homossexualidade. Como deseja muito a comunhão com Deus e carece do seu amor, passa a tomar como verdade que a graça e a aceitação de Deus são suficientes, sem necessidade de mudança em seu comportamento, que o que Deus quer é a nossa felicidade. Aí pode enveredar para outro extremo e concluir que não há mal na homossexualidade.
O que nos aguarda?
O mundo está sendo preparado para negar a importância da sexualidade natural (heterossexual), estabelecida conforme o propósito do Criador, e entrar na era da liberação sexual e individualização. O que importa é o máximo de prazer individual que cada pessoa pode obter — a auto-realização, segundo a qual tudo é permitido, como vários pensadores e estudiosos dos movimentos sociais já têm denunciado.
Não é casual a união entre os movimentos feministas (que querem exterminar os homens heterossexuais do modelo patriarcal), os movimentos pró-gays e a revolução científica, como nos chama a atenção Jean Baudrillard:
A primeira fase da liberação sexual envolve a dissociação da atividade sexual da procriação [...]. A segunda fase, na qual começamos a entrar agora, é a dissociação entre a reprodução e o sexo. Primeiro, o sexo foi liberado da reprodução; hoje é a reprodução que é liberada do sexo, por meio de modos de reprodução assexuais e biotecnológicos, tais como a inseminação artificial ou a clonagem total do corpo.4
Muitas pessoas entendem a homossexualidade como uma forma de se rebelar contra Deus. Baudrillard entende que
A morte de Deus representa mais do que a eliminação do princípio religioso como um princípio de organização social; ela corresponde à restrição de uso do universo simbólico ao tecnológico e ao mercadológico. Temos então a recriação do humano segundo a imagem e semelhança da máquina. Surge o transexual, o transeconômico, o transgênico e o transestético como representações pós-modernas do sujeito contemporâneo.5
Notas:
1. O manual de Classificação Internacional de Doenças (CID) aboliu a palavra “doença”, substituindo-a por “transtorno”, para designar um conjunto de sintomas ou comportamentos associados a sofrimento com disfunção pessoal.
2. NOLASCO, Sócrates. “De Tarzan a Homer Simpson”; banalização e violência masculina em sociedades contemporâneas ocidentais. Rio de Janeiro, Rocco, 2001.
3. Id. ibid. p. 187.
4. BAUDRILLARD, Jean. A “Ilusão Vital”. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2001. p. 16.
5. BAUDRILLARD, Jean. “Simulacros e Simulações” (1991); “Tela Total” (1997); “A Transparência do Mal” (1992). In: NOLASCO, Sócrates. “De Tarzan a Homer Simpson”; banalização e violência masculina em sociedades contemporâneas ocidentais. Rio de Janeiro, Rocco, 2001. p. 115.
Rozangela Alves Justino é psicóloga, especialista em psicologia clínica e educacional, uma das fundadoras do Exodus Brasil e membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC). rjustino@urbi.com.br
Homossexualismo e esperança
Os pronunciamentos abaixo foram extraídos do documento “Homossexualismo e Esperança”, elaborado pela Associação Médica Católica dos Estados Unidos, retirado do site da NARTH1
Se a atração pelo mesmo sexo fosse geneticamente predeterminada, então deveríamos supor que gêmeos idênticos teriam de ser idênticos em sua atração sexual. Há, porém, muitos registros de gêmeos idênticos que não são idênticos em sua atração sexual.
* O desenvolvimento psicossexual saudável conduz naturalmente, nas pessoas de cada sexo, à atração pelo outro sexo. O trauma, uma educação errada e o pecado podem causar um desvio desse modelo normal.
* Quando são convencidas de que a atração pelo mesmo sexo não é uma desordem geneticamente determinada, as pessoas conseguem ter esperança num modelo de terapia para suavizar, ou até mesmo eliminar, a atração pelo mesmo sexo.
* A maioria dos pais não quer que seu filho se envolva na conduta homossexual, mas os pais de filhos em risco muitas vezes hesitam em buscar tratamento. Mas há algo que pode ajudar a vencer sua oposição à terapia: informá-los de que 75% das crianças que exibem os sintomas da DIG (Desordem de Identidade do Gênero) e de problema crônico de falta de masculinidade na infância experimentarão a atração pelo mesmo sexo, se não houver nenhuma intervenção. A cooperação dos pais é extremamente importante para que a intervenção na infância tenha sucesso.
Nota:
1. NARTH é a sigla da National Association for Research and Therapy of Homosexuality, uma organização secular, sem fins lucrativos, fundada em 1992 por Charles Socarides, Benjamim Kaufman e Joseph Nicolasi, com o objetivo principal de tornar a psicoterapia efetiva disponível para todas as pessoas homossexuais que procuram mudar sua orientação sexual. Além de abrir um espaço para a discussão pública de todos os aspectos relacionados com a homossexualidade, a NARTH tem se esforçado para fomentar um debate honesto e equilibrado sem a distorção unilateral que tem caracterizado a troca de idéias até agora. A organização possui hoje mais de mil membros. O site é www.narth.com e tem artigos também em português.
Homossexualidade: aceitação e mudança
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